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domingo, 18 de março de 2012

Domingo Laetare, alegra-te Jerusalém!


Alegra-te Jerusalém!
Reuni-vos, vós todos que a amais;
Vós que estais tristes, exultai de alegria!
Saciai-vos com a abundância de suas consolações.


Graça abundante

Para alguns, o domingo Laetare,
em vez de ser um dia de alegrar-se na luz,
pode ser um dia de chorar silenciosamente num canto escuro,
de não ver, de não compreender, e sem saber por quê.
Se a sua alma não estiver em sintonia com as notas jubilosas do Intróito de hoje,
agarre-se à experiência do cego de nascença relatada no Evangelho(*).
Há graça abundante para todos tanto em uma como na outra.

Alegria no coração da Igreja

Domingo Laetare:
o domingo da Alegria,
o domingo da Nova Jerusalém,
o domingo da Luz,
o domingo da nossa mãe, a Igreja.
A Semana Santa logo chegará.
Os mistérios da Paixão do Senhor e da Ressurreição estão se aproximando rapidamente,
os mistérios da nossa alegria,
o final de toda tristeza,
a vitória da luz sobre todas as trevas.
É hora de subir a Jerusalém,
tempo para Jerusalém descer do céu para nós.
O Santo Sacrifício da Missa é apenas isso:
a assunção da Igreja à alegria do céu,
a descida da alegria do céu ao coração da Igreja.
Laetare!

fonte: Vultus Christi

(*) João, 9, 11: Aquele homem que se chama Jesus fez lodo, ungiu-me os olhos e disse-me: Vai à piscina de Siloé e lava-te. Fui, lavei-me e vejo.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Ver meu pai rezando me impressionava

Cardeal Thomas Collins, Arcebispo de Toronto
Trechos de sua recente entrevista ao La Stampa, logo após ter sido feito Cardeal (negritos e [comentários] meus):

(...) eu acho que a comédia é divina e a tragédia é pagã. O espírito alegre é fruto de estar em contato, de estar em paz consigo mesmo e com o Senhor. Você sabe, Agostinho estava certo: “Fizeste-nos para ti Senhor, e nosso coração está inquieto enquanto não descansar em ti”, e desse descanso vem a alegria.

Então esse espírito, o espírito de Deus, se reflete em um espírito alegre(...) penso em São Tomás Morus, um homem extremamente sério, sério sobre Deus e sério a respeito da sua fé, mas capaz de fazer gracejos no seu caminho para o cadafalso. Um elemento importante de sua capacidade de tocar os corações das pessoas através do dom da amizade era o seu espírito alegre, que mostrava que ele enxergava a vida com visão de conjunto. Acho que foi Chesterton que disse que os anjos podem voar porque encaram a vida com leveza...
Quando chegou a Cardeal (clique aqui para outras fotos)
[Comentando seu lema episcopal Deus adora (Apoc., 22,9), Adora a Deus ou Prostra-te diante de Deus] ...acho que é muito importante que na agitação da nossa vida tomemos tempo para a oração silenciosa todos os dias: quanto mais veloz a roda mais o eixo tem que estar firme. E isso parte da adoração, e da adoração vem a ação.

(...) quando jovem, muito me motivou a santidade de meu pai. Ele sofreu muito na vida. Era funcionário de um jornal e quando eu estava na 1 ª série, ficou muito doente (...) Lembro-me de que meu pai costumava me levar para a adoração, a adoração noturna, quando eu era um garotinho. Íamos apenas nós dois, caminhando juntos, e ver meu pai rezando me impressionava. [Belíssimo e tocante depoimento. Dá para imaginar a cena e os sentimentos recíprocos de pai e filho. Também se nota a sensibilidade de alma do narrador. Não foi uma frase do pai o que mais o marcou, mas uma imagem... Pais, pensem na responsabilidade de que seus filhos os VEJAM sinceramente piedosos]

Penso no Padre John Newstead, meu professor de colégio, que me pediu para ser padre! Ele sofreu muito, quando jovem, por problemas de saúde e sendo sacerdote, visitou os doentes dia após dia até quase o final da sua vida. Aquilo me impressionou como adolescente: eis uma pessoa realmente vivendo a sua fé, e ele era um homem alegre também. [novamente o exemplo. Segundo o Padre Antonio Vieira.“A nossa alma rende-se muito mais pelos olhos, do que pelos ouvidos] Foi meu confessor e diretor espiritual desde que eu tinha 14 anos até que fui nomeado Arcebispo de Edmonton. [por 38 anos!]