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sábado, 11 de fevereiro de 2012

O que a mensagem do Papa pela Quaresma tem a ver comigo?


A mensagem do Papa para a Quaresma fala da correção fraterna. Segue um pequeno trecho (negritos meus):
A tradição da Igreja enumera entre as obras espirituais de misericórdia a de «corrigir os que erram». É importante recuperar esta dimensão do amor cristão. Não devemos ficar calados diante do mal. Penso aqui na atitude daqueles cristãos que preferem, por respeito humano ou mera comodidade, adequar-se à mentalidade comum em vez de alertar os próprios irmãos contra modos de pensar e agir que contradizem a verdade e não seguem o caminho do bem. Entretanto a advertência cristã nunca há-de ser animada por espírito de condenação ou censura; é sempre movida pelo amor e a misericórdia e brota duma verdadeira solicitude pelo bem do irmão.
Podemos aplicar o conselho do Papa ao que vemos nas Missas. Não é difícil dar uma sugestão legal sobre os cânticos ou as vestes litúrgicas ou o sermão ou a decoração da igreja... Passeie pelo blog, que idéias não vão faltar.

Como comentei no primeiro post desse blog, pena que as paróquias não têm um ombudsman ou uma caixa de sugestões.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Editora Santuário se manifesta sobre livro vetado pelo Vaticano

O livro de Marciano Vidal, à venda no site da Editora Santuário

Conforme noticiado pelo portal argentino Pagina/12 no último domingo, o livro Sexualidade e Condição Homosexual na Moral Cristã, do sacerdote espanhol Marciano Vidal, foi retirado da catálogo da Paulus na Argentina pois seu conteudo foi considerado pela Congregação para a Doutrina da Fé como contrário à fé católica, conforme carta abaixo (clique para ampliar):
A notícia mencionava também que o livro continuava à venda no Brasil, pela Editora Santuário, dirigida pelos Redentoristas, congregação fundada por Sto. Afonso Maria de Ligório e à que também pertence o Pe. Marciano Vidal. Enviei o seguinte email para a editora:

de: Fidelis missaaosdomingos@gmail.com
para: diretor.geral@editorasantuario.com.br (endereço obtido no site da editora)
enviado: 8 de fevereiro de 2012, 10:17

Prezado Pe. Marcelo
O livro SEXUALIDADE E CONDIÇÃO HOMOSSEXUAL NA MORAL CRISTÃ, de Marciano Vidal, foi retirado da catálogo da Paulus na Argentina pois seu conteudo foi considerado pela Congregação para a Doutrina da Fé como contrário à fé católica (vide carta em anexo).
Agradeceria alguma informação sobre as providências que a Editora Santuário vai tomar a respeito.
Atenciosamente
Fidelis
missaaosdomingos.blogspot.com

De forma muito atenciosa, o Pe. Marcelo respondeu poucas horas depois (negritos e [comentários] meus):

de: diretor.geral@editorasantuario.com.br
para: Fidelis missaaosdomingos@gmail.com
enviado: 8 de fevereiro de 2012, 17:46

Caro Fidélis. 
Temos conhecimento do assunto que você coloca em pauta, porque o original do livro do Pe. Marciano está em português [curioso que, sendo espanhol, ele escreva em português]. Na verdade, a referida carta não trata do conteúdo do livro [não trata? como se pode ver acima, a carta afirma explicitamente que o livro foi "indicado pela Congregação para a Doutrina da Fé (CDF) como contrário à doutrina da Igreja sobre a sexualidade"], mas simplesmente responde a um mal-estar [???] causado pelos comentários de um site argentino, que sem conhecimento do conteúdo, somente pelo fato de o Pe. Vidal ter sido interpelado uma vez pela CDF, já considera que qualquer livro escrito por ele seja contrário à doutrina católica. [Será que a CDF pediu para um livro ser retirado de circulação com base em comentários de terceiros que sequer conheciam o livro?]
Em primeiro lugar, não recebemos da parte da CNBB ou da Santa Sé qualquer notificação. [cabe à Editora Santuário avaliar (ou reavaliar) se os livros de seu catálogo estão de acordo com a linha editorial (cristã?) ou a tarefa é delegada à CNBB ou à Santa Sé?] Tampouco Marciano foi notificado pela CDF. Depois, se você teve acesso ao livro, pôde ver que Marciano praticamente comenta os documentos oficiais da Santa Sé em relação à matéria. Ele estuda os documentos oficiais (da Santa Sé e dos Episcopados) e traça um paralelo com as posições assumidas pelos governos dos diferentes países, no tocante à homossexualidade. Ao mesmo tempo o autor busca abrir espaços de diálogo com a sociedade, sem no entanto, cair no laxismo ou contrariar à ortodoxia. 
Infelizmente, parece haver um preconceito muito grande em relação à pessoa do Pe. Marciano [preconceito em relação à pessoa e não às idéias? está se sugerindo aqui um preconceito homofóbico?]. Em artigo, no referido site argentino, o autor chegou a dizer que mesmo sem ter conhecimento do teor do livro, pelo simples fato de Marciano ter sido interpelado [retirar um livro de circulação vai um pouco além de interpelar...] pela CDF, já torna seus escritos contrários à doutrina católica. Realmente, posturas assim causam perplexidade. Será que nossa pregação da misericórdia não contempla a dimensão da reconciliação. [certamente, a questão é determinar quem tem que se reconciliar com quem]
De qualquer forma, estamos acompanhando  de perto os processos, inclusive demos ciência deles ao Marciano, que se mostrou surpreso, posto que nada lhe fora comunicado pela CDF. 
Agradeço sua interpelação e continuaremos acompanhando os acontecimentos. 
Pe. Marcelo Araújo, C.Ss.R. 
Vou encaminhar os comentários acima ao Pe. Marcelo. Caso ele acrescente algum esclarecimento, terei prazer em publicá-los.

PS. Os comentários que vocês fizerem nesse post também serão posteriormente encaminhados por mim a ele.  Ou, se preferirem, podem enviar diretamente para o endereço diretor.geral@editorasantuario.com.br.

atualiação 9/fev: A atitude do diretor da Editora Santuário de opor-se à determinação do Cardeal Levada, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, já é notícia em conhecidos sites da Espanha e da Argentina. Agradecemos sua ajuda para divulgá-la.

atualização 14/fev: foi publicado um novo post com as atualizações: Nosso blog na imprensa (católica ou não) internacional

domingo, 22 de janeiro de 2012

Ombudsman nas paróquias? (2)


Esse blog pretende ser um local de observações sobre as Missas que assistimos, já que as paróquias não costumam ter um canal para receber sugestões.

Li em blogs do exterior vários párocos coincidindo em uma reclamação idêntica: ao saírem da Missa deparam-se indefectivelmente com uma senhora usando luvas (ainda não desapareceram em outros países!) e bolsa pendurada no braço que eles chamam de A RECLAMADORA. E se preparam para ouvir uma sugestão ou queixa sobre os cânticos, o sermão, a leitora, a temperatura da igreja ou o que for.

Fiquei perplexo com o contraste, pois acho que em nossas terras o hábito de fazer queixas ou sugestões é raro. Ou ainda não descobri os canais competentes. Por outro lado, convém ver as coisas pelo lado positivo: tive a oportunidade de criar esse blog!

Fica no ar a pergunta: qual o melhor modo de ouvir o povo de Deus? Que por certo tem coisas úteis a sugerir para as paróquias que frequentam. Descartando as senhoras de luvas, poderia ser: caixa de sugestões, ombudsman, endereço específico de email ou outra alternativa que não imaginei.

Isso exigiria talvez uma hora por semana de alguém que encaminharia as sugestões e daria retorno aos remetentes. Imagino que as equipes paroquiais já tenham uma boa carga de trabalho, mas seria um tempo bem investido para todos se sentirem ouvidos, envolvidos com os assuntos da comunidade e mais responsáveis pelo andamento da paróquia. Afinal não é justo que nós - fiéis comuns, soldados rasos, arraia miuda, base da pirâmide, em resumo: povão - só sejamos lembrados na hora da rifa para a reforma do salão paroquial, certo?

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Gentileza gera gentileza, já dizia o profeta

Profeta Gentileza (1917-1996)

Não imagino quem (nem quando) pela primeira vez deu a voz de comando ao microfone:
"Todos de pé para a Aclamação ao Evangelho!"
É impressão minha ou essa frase é usada há décadas em todas as Missas do Oiapoque ao Chuí?

Na Missa a que costumo assistir a comentarista tem cerca de 20 anos, mas não se acanha: "Todos de pé para a Aclamação ao Evangelho!". Já cogitei me aproximar dela ao final da Missa e fazer as seguintes ponderações:
- alguns dos assistentes têm idade para ser seu avô ou bisavô
- qualquer pessoa que já assistiu meia dúzia de Missas sabe que deve se levantar nesse momento. Se excepcionalmente houver alguém que não saiba, vai acompanhar o resto da manada
- o próprio celebrante, no final da Missa, sugere polidamente "Tenham a bondade de ficar à vontade" e não ordena "Todos sentados para os avisos da semana!"
- sugiro que você diga simplesmente "Aclamação ao Evangelho". Todos vão se levantar, eu garanto!

Confesso que ainda não tive a coragem necessária. Por mais gentil que eu seja, vai parecer que eu lhe dei uma bofetada. Ou ela pode entrar numa crise existencial: se em todas as Missas se diz a mesma frase, como eu posso não dizer? Fico com a sensação de que eu deveria ter a hombridade de enviar a sugestão à própria CNBB, em lugar de perturbar uma inocente mocinha, que não age dessa forma por grosseria, mas simplesmente porque foi instruída a fazê-lo.

Às vezes me pergunto de onde vem esse estilo autoritário, contrário à "indole gentil do brasileiro"?

Como comentei no primeiro post desse blog, pena que as paróquias não têm um ombudsman ou uma caixa de sugestões. Acho que vou lançar mais uma campanha...

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Ombudsman nas paróquias?


As paróquias não têm um ombudsman ou uma caixa de sugestões. De vez em quando, no final da Missa, procuro o padre que celebrou ou uma das senhoras que ajudam para dar uma sugestão ou fazer um elogio. Os elogios são sempre bem recebidos, as sugestões nem sempre.

Esse blog pretende ser um local de troca de idéias, observações e reflexões sobre as Missas que assistimos.