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segunda-feira, 23 de abril de 2012

São Jorge Guerreiro no Google


São Jorge é muito venerado pelos cariocas e corinthianos. É também padroeiro da Inglaterra e da Catalunha.

Para comemorar sua festa, a versão inglesa do Google usou hoje o doodle (*) acima.

A bandeira da Inglaterra é a Cruz de São Jorge (vermelha sobre fundo branco), que com frequência está no escudo do guerreiro, como também vemos acima.

Oração a São Jorge
Chagas abertas, Sagrado Coração todo amor e bondade, o sangue do meu Senhor Jesus Cristo, no corpo meu se derrame hoje e sempre.
Eu andarei vestido e armado, com as armas de São Jorge da Capadócia. Para que meus inimigos tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me toquem, tendo olhos não me exerguem e nem pensamentos eles possam ter para me fazerem mal. 
Armas de fogo o meu corpo não o alcançarão, facas e lanças se quebrarão sem ao meu corpo chegar, cordas e correntes se arrebentarão sem o meu corpo amarrarem. 
Jesus Cristo me proteja e me defenda com o poder de sua Santa e Divina Graça, a Virgem Maria de Nazaré, me cubra com o seu Sagrado e divino manto, me protegendo em todas minhas dores e aflições, e Deus com a sua Divina Misericórdia e grande poder, seja meu defensor, contra as maldades das perseguições dos meus inimigos, e o glorioso São Jorge, em nome de Deus, em nome de Maria de Nazaré, e em nome do Divino Espírito Santo, me estenda o seu escudo e as suas poderosas anulas, defendendo-me com a sua força e com a sua grandeza, do poder dos meus inimigos carnais e espirituais e de todas sua más influências, e que debaixo das patas de seu fiel ginete, meus inimigos fiquem humildes e submissos a vós, sem se atreverem a ter um olhar sequer que me possa prejudicar. 
Assim seja com o poder de Deus e de Jesus e do Divino Espírito Santo. Amém.
(*) logo personalizada em homenagem a uma data especial,  colocada na página de buscas principal do Google

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Capelão militar alemão da II Guerra próximo dos altares


(Catholic Herald, 18/04/2012) O Vaticano está verificando se a cura de um americano com câncer se deve à intercessão do Pe. Franz Stock, um capelão do exército alemão para prisioneiros dos nazistas em Paris (...)

Padre Stocks foi "a última face humana" que centenas, talvez milhares, puderam ver antes de sua execução.

Ele é um símbolo da reconciliação na França e na Alemanha, virou nome de ruas e de escolas e é homenageado pelas autoridades. O correio francês lançou um selo comemorativo no 50º aniversário da sua morte. Ele faleceu por edema pulmonar em 24 de fevereiro de 1948, aos 43 anos (...)

O Tribunal da Arquidiocese de São Francisco, California, investigou o caso da cura de um homem de 33 anos e enviou seu relatório à Congregação para as Causas dos Santos no mês passado. Se o Vaticano confirmar que um milagre aconteceu, a beatificação será aprovada (...)

Os franceses chamavam o Pe. Stock o capelão do inferno por causa da sua misericórdia heróica e da sua bondade como capelão para os prisioneiros dos nazistas em Paris (...)

Testemunhas atestaram que Pe. Stock arriscava sua vida - às vezes usando uma batina especial e um casaco com bolsos ocultos - para trazer notícias e itens proibidos para os encarcerados. Chocolates, roupas, papel, canetas e cartas ajudaram os prisioneiros a resistir à tortura, ao desespero e às ameaças às suas famílias.

De 1941 a 1944 acompanhou mais de 700 pessoas durante suas execuções e testemunhou milhares sendo fuziladas pelos nazistas. "Somente nesta semana, eu preparei 72 homens para enfrentar a morte, os assisti no momento final e os enterrei", Pe. Stock escreveu no boletim de dezembro de 1941 da abadia beneditina de São José de Clairval, em Flavigny, França.

Em outro artigo publicado pela Abadia, Pe. Stock assinalou que Roger L., de 28 anos, foi batizado no dia de sua execução. "Ele havia perdido toda a coragem. Com a minha ajuda, ele recuperou a confiança ... Ele fez sua primeira comunhão com uma unção que comovia .... Suas últimas palavras no momento de sua morte foram Senhor, tem piedade de mim."

Com a libertação da França, o Pe. Stock foi preso pelos americanos por um breve período. Após a sua libertação, foi convidado para dirigir um "seminário cercado por arame farpado" em um campo de prisioneiros alemães em Chartres, uma iniciativa do governo francês e do delegado apostólico na França, o arcebispo Angelo Roncalli, futuro Papa João XXIII.

De 1945 a 1947, 949 professores, sacerdotes, irmãos e seminaristas passaram pelo seminário, segundo o site www.franz-stock.org.

(...) o Pe. Stock foi um defensor da paz, sobretudo da reconciliação entre a Alemanha ea França. Assim, apesar da relutância inicial, foi convencido a comandar o seminário para prisioneiros alemães na França como um caminho para a paz no futuro, renovando o catolicismo europeu no pós-guerra.

Pouco antes do encerramento do campo de prisioneiros e do seminário, Pe. Stock disse aos futuros sacerdotes alemães: "É a Providência que nos está lançando este convite à santidade, pela voz da história, e devemos ouvi-la, para trazer ao mundo a mensagem de liberdade e paz, salvação e amor ".

domingo, 25 de março de 2012

As Missas e o martírio dos cristeros


O post anterior noticiava (clique aqui para ler) que o Papa vai rezar hoje pelos mártires cristeros. Várias de suas missas, de quase 90 anos atrás, ficaram registradas:

clique aqui se preferir ver as fotos no tamanho original e com legendas


Dessas missas brotou o heroísmo dos mártires, que também ficou registrado em fotos:

clique aqui para ver as fotos no tamanho original e com legendas


Para finalizar, alguns registros de pessoas:


.clique aqui para ver as fotos no tamanho original e com legendas

quinta-feira, 22 de março de 2012

Santo do dia: outro carpinteiro?

São Nicolau Owen, 22 de março
(comemorado na Inglaterra)

O carpinteiro que salvou centenas de católicos perseguidos

Nicolau Owen (c 1550-1606) era um dos quatro filhos de Walter Owen, um carpinteiro que viveu em Oxford. Herdando as habilidades do pai, ele se especializou na construção de esconderijos-de-padres [priest-holes]. (...) Foi responsável pela salvação de centenas de pessoas, eclesiásticas e leigas, que teriam sido condenadas se os sacerdotes fossem encontrados em suas casas.

Owen é citado pela primeira vez em 1581 em conexão com o martírio de Edmund Campion, de quem deve ter sido um dos criados. Defendeu a inocência de Campion diante da acusação de traição com tanta veemência que, ao final, acabou sendo preso.(...)

Em 1586 Owen estava a serviço do Padre Henry Garnet, o Provincial dos Jesuítas, com quem fez extensas viagens, hospedando-se em casas de católicos, onde ele construiu esconderijos extremamente bem disfarçados. Alguns deles se conservam até hoje (...)

Para manter a segurança Owen nunca falava sobre o trabalho. Enquanto construía um esconderijo, ele ostensivamente se dedicava a reparos em alguma outra parte da casa durante o dia e trabalhava em seus abrigos durante a noite.

Em 1594 Owen acompanhou outro sacerdote, Pe. Gerard, a Londres, para ajudá-lo na compra de uma casa. Enquanto lá estavam, foram traídos por um criado da família Wiseman, para a qual Owen tinha construído um esconderijo.

As autoridades, cientes de que Owen conhecia muitos segredos dos recusantes [aqueles que se negavam a professar o anglicanismo e eram perseguidos pela lei], torturaram-no barbaramene, mas não obtiveram qualquer informação comprometedora. Após a sua libertação, ele ajudou o Pe. Gerard a escapar da Torre de Londres por meio de uma corda estendida sobre o fosso.

A Conspiração da Pólvora de 1605 novamente fez de Owen um homem procurado. Com três outros jesuítas, ele se refugiou em Worcestershire. Quando a casa foi invadida, 100 homens se dedicaram a buscá-los, mas não conseguiram encontrar o esconderijo-de-padre.

Depois de oito dias, o faminto Owen saiu do esconderijo e tentou escapar sem ser visto, a fim de salvar o Padre Garnet. A tentativa falhou, e Owen foi impiedosamente torturado na Torre de Londres, até que em 22 de março de 1606 seu corpo se rompeu na mesa de torturas, e ele expirou.

fonte: Catholic Herald
tradução e [comentários]: Missa aos domingos

sábado, 17 de março de 2012

Salve São Patrício, o Apóstolo da Irlanda

Vitral da Catedral de Armagh, Irlanda do Norte
Hoje se comemora na Irlanda o dia de São Patrício, que viveu no século V. Segue trecho do artigo de Dom Mark Kirby:

Monges e virgens de Cristo

São Patrício, consciente de sua própria fraqueza, se abismou com o poder da graça de Cristo. "Como foi possível na Irlanda que aqueles que nunca tiveram conhecimento de Deus e até agora só adoraram ídolos e coisas impuras, tenham se tornado um povo do Senhor e sejam chamados de filhos de Deus, de forma que os filhos e as filhas dos reis da Irlanda parecem ser monges e virgens de Cristo?" (...)

O Missionário Nascido do Mosteiro

O cristianismo irlandês foi, desde o início, monástico no temperamento e na organização. Mal a Igreja se estabeleceu e os mosteiros começaram a brotar. As gerações sucessivas viram um crescimento espetacular: surgiram mosteiros com mais de três mil monges, escolas, universidades monásticas de todo tipo (...) Monges irlandeses se espalharam pela França. Alemanha, Bélgica e Itália os acolheram. (...) Esforços para a recristianização da Europa podem buscar inspiração nos ideais dos missionários irlandeses da assim chamada Idade das Trevas. O modelo irlandês é bom: o missionário nasce do mosteiro. A oração, a ascese e o estudo se concretizam na implantação do Evangelho e na renovação das igrejas.

A Paixão da Igreja na Irlanda

A fé recebida por meio de São Patrício foi, a seu tempo, duramente testada. O século XVIII assistiu à promulgação de leis repressivas punindo os católicos: foram proibidos de votar, de comprar terras ou alugá-las por mais de trinta e um anos, era ilegal ensinar a religião Católica para crianças ou adultos, os padres foram proibidos de ficar na Irlanda ou de vir do exterior, era ilegal abrigar ou ajudar os sacerdotes católicos. Somente em 1829 é que o Parlamento britânico aprovou um decreto de Emancipação Católica, permitindo que a igreja saísse da clandestinidade. Mas outra provação veio em seguida: a Grande Fome que custou mais de um milhão de vidas. Quem podia, fugia da fome; onda após onda de emigrantes irlandeses pobres encontraram um lar na América, levando com eles o seu maior bem: a fé Católica. Dos horrores da Grande Fome, Deus fez sair um grande bem: se não fosse pelo êxodo dos irlandeses na época da fome, haveria bem poucos Católicos de língua inglesa no mundo atual.

Novas leis repressivas?

Estranhamente, parece haver entre alguns na Irlanda de hoje uma ideologia secularista militantemente empenhada na repressão da fé Católica na vida pública. Será que vamos ver uma nova promulgação de leis repressivas, não impostas por um opressor anti-católico vindo de fora, mas por irlandeses sobre irlandeses? Ou será que vamos ver um grande despertar católico, e uma bandeira mobilização ao redor da Santíssima Eucaristia, da Mãe de Deus e do Papa?

Transmitir a Fé

As palavras de Moisés aos filhos de Israel tornaram-se palavras de São Patrício dirigida a nós: "Guarda-te, pois, a ti mesmo: cuida de nunca esquecer o que viste com os teus olhos, e toma cuidado para que isso não saia jamais de teu coração, enquanto viveres; e ensina-o aos teus filhos, e aos filhos de teus filhos" (Dt 4:9). A transmissão da fé é hoje mais urgente do que nunca. São Patrício e aqueles que seguiram seus passos nos ensinam que a melhor forma de manter a fé é transmitindo-a. 

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

"Boca de ouro", o padroeiro dos pregadores (2)


(continuação)

Imersão na Palavra de Deus

O Segredo de eloqüência de São João Crisóstomo foi sua total imersão na Palavra de Deus. Séculos mais tarde, o Bem-aventurado Dom Marmion diria que nada dá uma unção tão penetrante à pregação quanto uma contínua referência à Palavra de Deus. Os grandes pregadores são unânimes neste ponto: sua tarefa é repetir a Palavra em outras palavras, não para entregar a sua própria sabedoria, mas a sabedoria de Deus revelada na "Palavra da Cruz" (1 Cor 1:18) .

Acolha em seu coração a admoestação de São Crisóstomo:
Ouça-me com atenção, peço-lhe... Busque livros que sejam remédios para a alma... Pelo menos obtenha uma cópia do Novo Testamento, das epístolas do Apóstolo, dos Atos, dos Evangelhos, para que sejam seus permanentes mestres. Se você encontrar dor, mergulhe nos livros como em uma caixa de medicamentos; tire deles conforto para o seu problema, seja ele perda, ou morte, ou luto pela perda de parentes.Não basta mergulhar neles. Nadar neles. Mantenha-os constantemente em sua mente. A causa de todos os males é a falta de um bom conhecimento das Escrituras.
A causa de todos os males

A causa de todos os males é a falta de um bom conhecimento das Escrituras. Por que o Doutor Boca-dourada diz isso? Porque quem não conhece bem as Escrituras não conhece a mente e o coração de Cristo. Quem não conhece a mente e o coração de Cristo recebe o Corpo e o Sangue de Cristo com poucos frutos. É a Palavra, a "Palavra da Cruz" (1 Cor 1:18), que nos prepara para o Santo Sacrifício.

Lectio Divina

É a Palavra ouvida (lectio), repetida (meditatio), rezada(oratio) e guardada no coração (contemplatio) que prepara a alma para receber o Sagrado Corpo e o Precioso Sangue de Cristo, e prolonga os efeitos da Sagrada Comunhão ao longo do dia.

A Palavra da Cruz e os frutos do Precioso Sangue

A intensidade da nossa vida eucarística é diretamente proporcional à nossa imersão na Palavra de Deus. Peça a São João Crisóstomo que nos ajude a estar firmemente atados à "Palavra da Cruz" (1 Cor 1:18) e assim experimentemos os frutos duradouros do Preciosíssimo Sangue de Cristo.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

"Boca de ouro", o padroeiro dos pregadores


São João Crisóstomo (349-407) nasceu em Antioquia da Síria e foi bispo de Constantinopla. Crisóstomo em grego significa Boca de ouro. Seus restos mortais repousam na Basílica de São Pedro, em Roma.

Segue trecho da meditação de Vultus Christi sobre esse grande santo:
Um pregador diferente de qualquer outro 
Quem me dera que São João Crisóstomo, o padroeiro dos pregadores, pudesse estar aqui no meu lugar hoje e pregar com a eloquência, dada a ele pelo Espírito Santo, de uma boca de ouro! Como responderíamos à sua pregação? A pregação de São Crisóstomo perturbava o plácido, inflamava o morno, acordava o sonolento, expunha a corrupção, assustava o indiferente, abalava o acomodado e fazia o piedoso se constranger. 
Sua pregação também inspirou confiança no Sangue de Cristo, deu esperança aos desesperados, levou os pecadores a chorar por suas faltas, inspirou a ricos a dar generosamente de sua riqueza, fez as pessoas se desapegarem dos bens terrenos, humilhou o arrogante, trouxe fornicadores para a castidade, converteu os trapaceiros à justiça e dotou o ignorante com a ciência de Jesus Cristo.
Como seria interessante se os sacerdotes, ao preparar o sermão de Missa de domingo, começassem por ler esses dois singelos parágrafos do padroeiro dos pregadores. Como isso não perderiam de vista em que consiste uma boa pregação.

O restante da meditação virá em breve. Se você é novo no blog, veja outros posts sobre o sermão.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Há apenas uma tragédia na vida humana

São Bento converte os habitantes de Monte Cassino, Luca Signorelli
Segue um trecho da meditação de Dom Mark Kirby por ocasião da cerimônia de recepção de novos Oblatos no último domingo.
Para se tornar um Santo 
Tornar-se um Oblato é uma decisão pública (...) de se tornar santo. Há apenas uma tragédia na vida humana: não se ter tornado santo. O Oblato subordina tudo na vida à busca da santidade. Essa busca dá sentido à vida cotidiana e a transforma. 
Maridos e pais 
O marido e pai torna-se um Oblato a fim de ser um melhor marido e melhor pai. (...) O marido e pai é o chefe da sua casa: o abade doméstico. Quase tudo o que São Bento diz a respeito do abade pode ser aplicado a um pai de família. 
"...e se esforce por ser mais amado que temido. Não seja turbulento nem inquieto, não seja excessivo nem obstinado, nem ciumento, nem muito desconfiado, pois, nunca terá descanso; seja prudente e refletido nas suas ordens, e quer seja de Deus, quer do século o trabalho que ordenar, faça-o com discernimento e equilíbrio, lembrando-se da discrição do santo Jacó, quando diz: "Se fizer meus rebanhos trabalhar andando demais, morrerão todos num só dia". Assumindo esse e outros testemunhos da discrição, mãe das virtudes, equilibre tudo de tal modo, que haja o que os fortes desejam e que os fracos não fujam (Regra de São Bento, Capítulo 64, Da ordenação do Abade)"
Há apenas uma tragédia na vida humana: não se ter tornado santo. Isso que ele diz aos Oblatos se aplica a todo cristão, inclusive a mim e a você, que somos fiéis comuns, soldados rasos, arraia miúda, base da pirâmide, em resumo: povão.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Uma santa para os que são prisioneiros do seu passado


Não apenas as meditações de Dom Mark Kirby são excelentes, mas seus títulos também são marcantes, como este: Uma santa para os que são prisioneiros do seu passado. O texto trata de Santa Josefina Bakhita, cuja memória se comemorou no último dia 8. Nasceu no Sudão em 1869 e foi canonizada em 2000. Seguem trechos:

Chamada por um novo nome
Devido ao trauma que sofreu quando foi raptada e vendida como escrava quando menina, Santa Josefina Bakhita não conseguia se lembrar do nome que os pais lhe deram. Seus captores a chamaram de Bakhita, que significa afortunada. "Receberás então um novo nome, determinado pela boca do Senhor. E tu serás uma esplêndida coroa na mão do Senhor, um diadema real entre as mãos do teu Deus"(Is 62:2-3). Anos mais tarde Bakhita recebeu no Batismo o nome de Josefina.

Uma Santa vendida e revendida
A vida de Bakhita foi marcada por um indescritível sofrimento emocional, moral e físico. Após o rapto, ela foi vendida e revendida nos mercados de escravos de El Obeidh e Cartum. Na capital do Sudão, Bakhita foi comprada - sim, comprada - pelo cônsul italiano, Callisto Legnani. Bakhita ficou surpresa por seu novo proprietário não usar o chicote ao dar ordens, ele a tratava com gentileza e carinho. Quando a situação política obrigou-o a voltar para a Itália, ele levou Bakhita(...)

A Madre Morena
No dia 8 de dezembro de 1896 se consagrou a Deus para sempre como Irmã de Caridade Canossiana, tornando-se Madre Josefina. Era chamada carinhosamente de Madre Morena. Filha de Deus, Esposa de Cristo, Mãe dos pequenos e dos pobres, Bakhita se tornou inteiramente a mulher consagrada: livre, amada, fértil, plenamente realizada. "Não mais serás chamada a desamparada, nem tua terra, a abandonada; serás chamada: minha preferida, e tua terra: a desposada, porque o Senhor se comprazerá em ti e tua terra terá um esposo"(Is 62:4).

Nem um traço de amargura
Madre Josefina Bakhita serviu seu Mestre por quase 50 anos. A Oração Coleta fala de como seguiu Jesus, o Senhor crucificado, com amor incessante. Na caridade, diz, ela perseverou em uma misericórdia sempre disponível. Este é o milagre de Santa Bakhita. Não havia nela nem um traço de amargura. Os aviltamentos cruéis e os indizíveis ultrajes morais sofridos como escrava, embora nunca esquecidos, não tinham domínio sobre ela. Ela, a quem os homens recusaram a misericórdia perseverou até o fim um sua misericórdia disponível para os outros. Ela não era uma prisioneira de seu passado. Nós, que somos tantas vezes prisioneiros do passado, incapazes de relevar, incapazes de perdoar, incapazes de superar antigasmágoas, fazemos bem em buscar hoje sua intercessão.

Libertada pelo amor
Olhar para o futuro não significa esquecer o passado, significa transfigurá-lo. Significa relê-lo com olhos de misericórdia, à luz da fé. Não precisamos ficar escravos de nossas próprias histórias, acorrentados às coisas más, às coisas dolorosas, às coisas injustas que aconteceram há dez, vinte, trinta, quarenta, cinqüenta ou setenta e cinco anos. Há um outro caminho: o caminho dos que foram libertados pelo amor.

Duas malas
Já avançada em anos, Madre Bakhita costumava sorrir e dizer: "Viajo devagar, um passo de cada vez, porque eu estou carregando duas malas grandes. Uma delas contém os meus pecados e na outra, que é muito mais pesada, estão os méritos infinitos de Jesus. Quando eu chegar ao céu abrirei as malas e direi a Deus: Pai Eterno, você pode julgar agora. E a São Pedro: Feche a porta, porque eu vou ficar"

Minha Mãe
Em sua agonia final Bakhita reviveu os horrores de sua escravidão. "Solte as correntes", disse ela para sua enfermeira, "são tão pesadas​​." A própria Mãe de Deus veio para soltar as correntes. Bakhita morreu sorrindo, dizendo, Minha Mãe, Minha Mãe. Era 8 de fevereiro de 1947.
tradução e negrito Missa aos domingos

(...após alguns minutos de silêncio...) Esse meditação tem uma conexão natural com o post de ontem: Inventar a Missa afro ou aprender com a África? Então vou concluir da mesma forma: obrigado, irmãos africanos! E rezem por nós.

PS. Prefiro posts curtos, mas para essas meditações abro exceções
PS2. Conhece algum padre sem inspiração para o sermão de depois de amanhã? Fique a vontade para lhe passar o link e peça que agradeça a Dom Mark Kirby. E se ele perguntar quem é, peça que leia este post.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Conversão: a de São Paulo e a nossa

Conversão de São Paulo, Caravaggio
Trecho de outra excelente meditação de Dom Mark Kirby, do site Vultus Christi (Face de Cristo):

A Presença de São Paulo

Por que São Paulo, mesmo após dois mil anos, tem tanta influência sobre os corações e as mentes em toda cultura e nação? Por que São Paulo continua a falar de modo persuasivo a cada homem e a cada mulher? Por que a vida de Santo Agostinho se transformou de forma tão dramática e gloriosa, quando ele pegou um livro e, abrindo-o, deu com a Epístola de São Paulo aos Romanos? Por que a Regra de São Bento se entrelaça com a paixão de Paulo pelo amor de Cristo? Por que, mesmo nos conflitos que põem crente contra crente, São Paulo permaneceu, em ambos os lados do conflito, a medida do que significa pertencer a Cristo? Por que, no século passado São Paulo capturou de tal forma o pensamento de Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face, doutora da Igreja; do Abade beneditino, o Bem Aventurado Columba Marmion; da jovem carmelita, Bem Aventurada Elisabeth da Trindade que se é obrigado a concluir que sem uma imersão em suas epístolas não pode haver uma conversão duradoura das almas para Cristo, nem um misticismo autenticamente cristão?

A mim, o mais insignificante dentre todos os santos, coube-me a graça de anunciar entre os pagãos a inexplorável riqueza de Cristo. (Efésios 3:8)

Paulo me dá Cristo

Comecei a ler São Paulo quando garoto, isolando-me nas manhãs tranquilas no desvão entre minha cama e a parede, e indo de descoberta em descoberta no Novo Testamento que meu pai me deu e que ainda conservo como um tesouro. Após mais de cinquenta anos eu ainda estou lendo São Paulo em qualquer momento tranquilo que encontro. Por quê? Porque São Paulo me dá Cristo. Porque São Paulo coloca minha alma em Cristo e Cristo na minha alma. Porque São Paulo, uma vez convertido na estrada de Damasco, nunca deixou de converter outros a Cristo Jesus na esteira de sua própria experiência e porque eu preciso, e quero, e me comprometi a uma vida de conversão.

Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim. A minha vida presente, na carne, eu a vivo na fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim.(Gálatas 2:20)

tradução Missa aos Domingos

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Deixados para morrer, emergiram das sombras

"São Sebastião cuidado por Santa Irene"
Meditação do dia de São Sebastião de Dom Mark Kirby,  do site Vultus Christi (Face de Cristo):

Deixados para morrer
Há sofrimentos mortais dos quais não se espera que os seres humanos se recuperem. Há torturadores da alma que deixam suas vítimas para morrer, certos de que não irão recuperar suas forças e reviver. Há pessoas que, tendo sofrido as agressões cruéis dos malfeitores, surpreendem aqueles que os conhecem, por continuar a viver e dar testemunho do amor de Cristo.
São Sebastião, Mártir
Penso hoje no soldado cristão São Sebastião, condenado à morte por confortar cristãos perseguidos; atado a uma árvore, crivado de flechas e deixado para morrer. E estou pensando em Santa Irene, esposa de São Castulo, que buscou São Sebastião e lavou suas feridas, aplicando bálsamos e medicamentos, até que ele recuperou as forças e foi à presença de Diocleciano para dar testemunho de Cristo.
A criança objeto de abuso sexual
Penso hoje na criança objeto de abuso sexual. Tendo sua inocência roubada; tendo que suportar um turbilhão de emoções impossíveis de serem decifradas; tendo perdido todo o sentido de segurança e proteção; e presa a um silêncio carregado de medo, são pequenas as chances de que essa criança chegue a emergir das sombras e a viver plenamente a vida a que estava destinada a viver.
A esposa espancada
Penso hoje na mulher que, depois de ter se entregado a um homem em casamento, descobre que ele é dominado por uma fúria incontrolável. Ela sofre violência nas mãos do homem que se comprometeu a acolhê-la com carinho e protegê-la. São pequenas as chances de que essa mulher chegue a emergir das sombras e a recuperar a capacidade de amar novamente e de confiar.
O Sacerdote não perdoado
Estou pensando hoje no homem, no sacerdote, que, depois de ter empenhado sua vida, suas energias e tudo o mais na Igreja, Corpo e Esposa de Cristo, vê-se acusado de uma fraqueza, de um pecado ou de um crime e, em seguida, completamente abandonado, deixado de lado e declarado intocável por aqueles que professam estar a serviço do Salvador chio de misericórdia. São pequenas as chances de que esse sacerdote chegue a emergir das sombras e a encontrar arrependimento, cura e reconciliação no coração da Igreja.
Mas eles não morrem
Estes são apenas três exemplos das inúmeras violências, mortais para alma, das quais os agressores se afastam, deixando suas vítimas para morrer. Mas as vítimas não morrem. Elas sofrem. Elas sangram. Suas feridas infeccionam e até gangrenam, mas elas não morrem.
Santa Irene, a que cuidou
De alguma forma essas vítimas - muitas vezes pelos cuidados de alguém mortalmente ferido como elas próprias, mas que voltou à vida, vida em abundância - podem se recuperar e às vezes efetivamente se recuperam e, em certo sentido, voltam da morte. Alguém pára para cuidar de suas feridas, desinfetá-las e atá-las. "Um samaritano," diz o Senhor, "que ia de viagem, chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão. E, aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem, e cuidou dele."Lucas 10:33-34
Na Luz
São Sebastião é símbolo de alma deixada para morrer, mas trazida de volta à vida para dar a Cristo o seu testemunho. Santa Irene é modelo daquele que cuida do mortalmente ferido, muitas vezes às custas da sua segurança e da sua reputação. Hoje eu peço a intercessão de ambos os santos, para que aqueles que estão mortalmente feridos em suas almas possam emergir das sombras para contemplar na luz a Face dAquele que diz: "Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância "(João 10:10).
(tradução Missa aos Domingos)

São Sebastião é o padroeiro da minha cidade natal e de uma das paróquias que frequento. Na sexta feira passada ouvi um foguetório no início da noite. Olhando de que lado vinha, me deu o estalo: é da Igreja de São Sebastião, pois hoje é dia 20!

A meditação acima ajuda a entender que o sermão da Missa não precisa ser longo para ser profundo e tocante. Aliás, os pregadores não precisam ser sempre originais. Comentando-se um texto de terceiro pode se levar uma boa mensagem para os ouvintes. Que é o que acabo de procurar fazer...