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quarta-feira, 18 de abril de 2012

Capelão militar alemão da II Guerra próximo dos altares


(Catholic Herald, 18/04/2012) O Vaticano está verificando se a cura de um americano com câncer se deve à intercessão do Pe. Franz Stock, um capelão do exército alemão para prisioneiros dos nazistas em Paris (...)

Padre Stocks foi "a última face humana" que centenas, talvez milhares, puderam ver antes de sua execução.

Ele é um símbolo da reconciliação na França e na Alemanha, virou nome de ruas e de escolas e é homenageado pelas autoridades. O correio francês lançou um selo comemorativo no 50º aniversário da sua morte. Ele faleceu por edema pulmonar em 24 de fevereiro de 1948, aos 43 anos (...)

O Tribunal da Arquidiocese de São Francisco, California, investigou o caso da cura de um homem de 33 anos e enviou seu relatório à Congregação para as Causas dos Santos no mês passado. Se o Vaticano confirmar que um milagre aconteceu, a beatificação será aprovada (...)

Os franceses chamavam o Pe. Stock o capelão do inferno por causa da sua misericórdia heróica e da sua bondade como capelão para os prisioneiros dos nazistas em Paris (...)

Testemunhas atestaram que Pe. Stock arriscava sua vida - às vezes usando uma batina especial e um casaco com bolsos ocultos - para trazer notícias e itens proibidos para os encarcerados. Chocolates, roupas, papel, canetas e cartas ajudaram os prisioneiros a resistir à tortura, ao desespero e às ameaças às suas famílias.

De 1941 a 1944 acompanhou mais de 700 pessoas durante suas execuções e testemunhou milhares sendo fuziladas pelos nazistas. "Somente nesta semana, eu preparei 72 homens para enfrentar a morte, os assisti no momento final e os enterrei", Pe. Stock escreveu no boletim de dezembro de 1941 da abadia beneditina de São José de Clairval, em Flavigny, França.

Em outro artigo publicado pela Abadia, Pe. Stock assinalou que Roger L., de 28 anos, foi batizado no dia de sua execução. "Ele havia perdido toda a coragem. Com a minha ajuda, ele recuperou a confiança ... Ele fez sua primeira comunhão com uma unção que comovia .... Suas últimas palavras no momento de sua morte foram Senhor, tem piedade de mim."

Com a libertação da França, o Pe. Stock foi preso pelos americanos por um breve período. Após a sua libertação, foi convidado para dirigir um "seminário cercado por arame farpado" em um campo de prisioneiros alemães em Chartres, uma iniciativa do governo francês e do delegado apostólico na França, o arcebispo Angelo Roncalli, futuro Papa João XXIII.

De 1945 a 1947, 949 professores, sacerdotes, irmãos e seminaristas passaram pelo seminário, segundo o site www.franz-stock.org.

(...) o Pe. Stock foi um defensor da paz, sobretudo da reconciliação entre a Alemanha ea França. Assim, apesar da relutância inicial, foi convencido a comandar o seminário para prisioneiros alemães na França como um caminho para a paz no futuro, renovando o catolicismo europeu no pós-guerra.

Pouco antes do encerramento do campo de prisioneiros e do seminário, Pe. Stock disse aos futuros sacerdotes alemães: "É a Providência que nos está lançando este convite à santidade, pela voz da história, e devemos ouvi-la, para trazer ao mundo a mensagem de liberdade e paz, salvação e amor ".

Padre falece de câncer uma semana após ordenação

Pe. Graham Turner após ordenação
A messe é grande, mas os operários são poucos. Pedi, pois, ao Senhor da messe que envie operários para sua messe. Segue notícia do site acidigital:

O Padre Graham Turner nunca pôde servir em uma paróquia, mas seu testemunho de amor à vocação sacerdotal comoveu os católicos da Escócia. Uma leucemia agressiva foi causa da sua morte na segunda-feira 16 de abril, apenas uma semana depois de ter sido ordenado "sacerdote para sempre".

Pe. Turner, de 48 anos de idade, descobriu sua vocação já adulto. Deixou seu trabalho como programador de computadores e se mudou a uma residência de sacerdotes, onde por cinco anos se encarregou do cuidado dos sacerdotes idosos até ser aceito como seminarista da Arquidiocese de Saint Andrews e Edinburgo.

Estudou em Roma no Beda College e foi ordenado diácono em junho de 2010. Sua ordenação sacerdotal estava prevista para junho de 2011, e [...] teve que adiá-la depois do diagnóstico de leucemia.

Durante o último ano se submeteu a um intenso tratamento contra o câncer que não deu resultados. Ante a gravidade da saúde do sacerdote, seu pai contatou o Arcebispo do Saint Andrews e Edimburgo, Cardeal Keith O’Brien.

O Cardeal aceitou adiantar o rito da ordenação para Segunda-Feira de Páscoa. Graham Turner foi ordenado sacerdote na capela do Salford Royal Hospital, perto da cidade de Manchester na Inglaterra.

Em uma comovedora Eucaristia na qual chegou numa cama clínica para ser passado a uma cadeira de rodas, o Pe. Turner recebeu a desejada ordenação sacerdotal.

Durante a Missa, em que foi assistido pelos seus enfermeiros, pôde permanecer de pé alguns momentos ao início da liturgia Eucarística, ao lado de seus pais Marilyn e George, e de seus irmãos Ian e Sue.

"Há uma grande tristeza aqui e agora, mas sem dúvida foi importante para Graham ter sido ordenado", disse Dom Roderick Strange, Reitor do Beda College em Roma, onde o Pe. Turner se preparou para o sacerdócio.

"Embora a ordenação seja para o ministério ativo, isto definitivamente completou um período significativo da vida, do discernimento e do compromisso de Graham. Assim, foi maravilhoso vê-lo já como sacerdote". Em sua opinião, "a Missa foi muito comovedora, muito intensa e muito poderosa".

"Há uma passagem no rito da ordenação em que o Bispo diz ao ordenando que modele sua vida no mistério da Cruz de Cristo e acho que isso realmente aconteceu na cerimônia", disse Dom Strange.

De Graham, "recordarei o cavalheirismo, o humor, a inteligência, a paciência, a extraordinária força de caráter, e em particular, a fortaleza com a que respondeu e prosseguiu nos últimos 12 meses da sua vida".

segunda-feira, 16 de abril de 2012

A formação litúrgica nos seminários é deficiente


Com relação à Liturgia da Santa Missa, como o Sr. vê a formação dentro dos seminários brasileiros para que os seminaristas tenham uma boa instrução sobre o que é a missa e como celebrá-la com dignidade?

Dom Antonio Carlos Rossi Keller, Bispo de Frederico Westphalen: Em geral, a formação é deficiente. Estuda-se a teologia litúrgica, muitas vezes a partir de autores que não tem uma visão da liturgia suficientemente católica. Nos estudos sobre a liturgia, predomina a opinião pessoal de determinado liturgista, muitas vezes, opinião que contradiz aquilo que a Igreja ensina e determina, especialmente nos últimos Documentos que são normativos, em relação à Sagrada Liturgia. Além disso, falta nos estudos litúrgicos, a meu ver, a “alma” da Liturgia. Uma liturgia sem espiritualidade, sem a consciência de que, antes de tudo, liturgia é oração, acaba caindo no mesmo ritualismo que tantos modernos liturgistas criticam do passado: só que é o ritualismo do inventar, da novidade, que também não tem alma. A meu ver, a formação litúrgica dos seminaristas e também aquela dos padres, deve centrar-se nestes dois eixos: a fidelidade às Normas litúrgicas vigentes e a preocupação constante de fazer da liturgia oração.

A íntegra da entrevista está no blog Encontro com o Bispo

sábado, 14 de abril de 2012

Os sacerdotes heróis do Titanic

Pe. Montvila, Pe. Peruschitz e Pe. Byles
Agora que se completam 100 anos da tragédia, seguem trechos de uma matéria do Our Sunday Visitor:

Fiel até o último momento

O padre lituano Juozas Montvila, de 27 anos, embarcou em Southampton com um bilhete de segunda classe. Estava se transferindo para os Estados Unidos, onde tinha família, depois de sofrer nas mãos dos russos, que controlavam a Lituânia naquela época (...) e o proibiram de exercer o ministério sacerdotal. Nos Estados Unidos, esperava poder servir à crescente comunidade lituana.

Na noite fatídica, o Pe. Montvila estava no convés do barco quando os 20 botes salva-vidas (um número muito pequeno para os 2.200 passageiros) estavam sendo preenchidos. Um sobrevivente relatou que "o jovem sacerdote lituano Juozas Montvila foi fiel à sua vocação de serviço até o último momento." Ofereceram-lhe um lugar em um dos botes, mas ele se recusou a ir. Seu corpo nunca foi encontrado.

Rezando o Rosário

O padre beneditino alemão Joseph Benedikt Peruschitz, de 41 anos, também era um passageiro da segunda classe.

(...) estava sendo transferindo para a St. John's University em Collegeville, Minnesota. Passou a Semana Santa na Casa Beneditina de Santo Agostinho em Ramsgate, Inglaterra, antes de embarcar no Titanic no dia 10 de abril em Southampton (...)

O Pe. Peruschitz ficou entre os passageiros depois que o navio bateu no iceberg, dando a absolvição. Algumas pessoas no convés teriam zombado dele e dos outros sacerdotes. Mas os padres continuaram a rezar com os que pediram orações, não só com os católicos, mas com os de todos os credos.

Também lhe ofereceram um lugar em um bote salva-vidas, mas ele se recusou a abandonar os outros passageiros. Um sobrevivente recorda-se de tê-lo visto pouco antes do naufrágio, dirigindo o rezo do Rosário com um grupo de passageiros (...)

Ajudando passageiros

O Padre Thomas Roussel Davids Byles, de 42 anos, provinha de família aristocrática e era filho de um pastor batista. Quando estudava em Oxford tornou-se anglicano e pensava ser sacerdote . Converteu-se ao catolicismo em 1894 e foi ordenado sacerdote em 1902.

Estava a caminho de Brooklyn, NY, para celebrar o casamento de seu irmão, também como um passageiro da segunda classe.

No dia do acidente, Byles Padre celebrou duas Missas: uma para os passageiros de segunda classe e outra para os da terceira.

A maioria dos passageiros da terceira classe era composta de imigrantes, principalmente irlandeses. Outros eram da Europa continental. O Pe. Byles pregou sua homilia em inglês e francês e o Pe. Peruschitz prosseguiu  em alemão e húngaro. De acordo com uma reportagem da época, ambos pregaram sobre "a necessidade de se ter ao alcance da mão um bote salva-vidas, na forma de apoio religioso, para ocaso de um naufrágio espiritual".

Após a colisão com o iceberg, o Pe. Byles desceu para a terceira classe. Sobreviventes recordam que ele encaminhou passageiros para o local de acessos aos salva-vidas. Ele ouvia confissões e rezava com os mais ansiosos.

Segundo as reportagens da época, o Pe. Byles também se recusou a embarcar nos botes salva-vidas. Como no caso dos seus dois companheiros, seu corpo nunca foi encontrado.

quarta-feira, 21 de março de 2012

O Padre, esse eterno Rei da Simpatia (2)


Na primeira parte desse texto tratei do excessivo apreço dos fiéis pela simpatia do padre.

Queria considerar agora o outro lado da moeda: há padres que entram no jogo e acabam ficando reféns dessa exigência, como se fossem obrigados a agradar a todos, a todo momento, em qualquer assunto, a qualquer preço.

É natural que isso leve a um enfraquecimento da padre e a um fortalecimento dos leigos envolvidos nas atividades paroquiais. Não foi à toa que um cardeal afirmou, conforme recolhido no título de um post de ontem: Os leigos viraram padres e os padres se secularizaram.

No fundo, a maioria (especialmente os fiéis comuns, pés-rapados como eu e, provavelmente, você) espera que o padre exerça a autoridade que lhe compete. De forma amável, justa, sensata, paciente... (acrescente aqui os adjetivos que lhe pareça oportuno), mas sem se omitir, sem se eximir de suas responsabilidades. Quem costuma confrontar essa autoridade é aquela meia dúzia de senhoras que adora os holofotes, dar palpites e mandar nos outros. Isso sim é autoritarismo e, não raras vezes, infelizmente, mesclado com manipulação.

Coragem, padres! Vocês são os chefes. De vocês serão cobrados, nessa vida e no juízo, os frutos que Deus espera colher na paróquia. É melhor descascar os abacaxis agora para evitar sérios problemas no futuro:
"Por isso, tive medo e fui esconder teu talento na terra. Eis aqui, toma o que te pertence.
Respondeu-lhe seu senhor: - Servo mau e preguiçoso!" (Mt, 25)
. 

terça-feira, 20 de março de 2012

Os leigos viraram padres e os padres se secularizaram


O Cardeal Aridanus Simonis, arcebispo emérito de Utrecht, Holanda, deu uma interessante entrevista na semana passada. Seguem trechos:


A Igreja holandesa não viveu com tranquilidade o pós-concilio: houve polêmicas sobre o catecismo e outras controvérsias. Aos cinquenta anos desse evento, qual é a situação atual?

R. A situação da Igreja holandesa depois do Concílio é muito difícil de ser descrita. Naquela época, tínhamos uma polarização de duas facções. Praticamente havia duas igrejas em uma. Uma delas era muito radical e queria mudar tudo, mas tinha a fé fraca. Agora essa polarização acabou mas, como consequência, muitos perderam a fé e abandonaram a Igreja. De modo geral se pode dizer que atualmente impera o “indiferentismo”(...)

O que estava errado na interpretação do Concílio?

R. De fato: houve uma interpretação errônea do Concílio. Não leram os documentos e se limitaram a argumentar com base no chamado "espírito do Concílio", ou seja: vale tudo, tudo pode mudar.

Talvez também uma interpretação equivocada do papel dos leigos na Igreja?

R. De fato. Como resultado, os leigos tornaram-se mais ou menos sacerdotes e os sacerdotes se secularizaram.

Estamos na Quaresma. Em Roma chamam a atenção para a Confissão e a Eucaristia. Qual é a situação na Holanda e em que direção se está caminhando?

Há quarenta anos a confissão está completamente perdida, e sabe por quê? Porque os holandeses não pecam! No sentido de que já não sabem o que é o pecado. O conceito de pecado está ligado à consciência de Deus: quando não se acredita num Deus pessoal, não se pensa mais no pecado. Nosso país está cheio de pessoas que acreditam numa entidade abstrata, que existe alguma coisa, mas não um Deus pessoal. Por isso pensam que não pecam (...)

Uma reflexão pessoal sobre sua vida como sacerdote, arcebispo e cardeal. O que pode dizer às gerações mais jovens e aos estudantes dos seminários?

R. Digo-lhes que aprendam a pensar, a refletir. E então rezem, rezem, rezem. A oração é importantíssima, é e deve ser o fundamento da vida humana, mas na Holanda não rezam, porque não acreditam em um Deus pessoal, mas apenas em uma entidade vaga.

tradução e negritos: Missa aos domingos

terça-feira, 13 de março de 2012

O Padre, esse eterno Rei da Simpatia


Quem já não ouviu inúmeras vezes o relato: na Missa / casamento / velório / batizado... da sobrinha / vizinha / cunhada / amiga-de-não-sei-quem... o PADRE fez / deixou de fazer / olhou / falou / espirrou... 

E dá para antecipar a conclusão: não vou mais na Missa desse padre / em Missa nenhuma / nessa paróquia / nunca mais ponho o pé na igreja...

É uma questão especialmente importante no Brasil, onde tendemos a ser mais sensíveis.

Quem sou eu para menosprezar a simpatia, especialmente da parte de um padre, mas daí a fazer disso o cavalo de batalha supremo, a fonte da eterna mágoa, vai uma considerável distância. Para começar devemos ir à Missa, à igreja, rezar, etc. porque temos fé e porque amamos a Jesus Cristo e necessitamos dos sacramentos, não porque somos tratados assim ou assado ou porque adoramos ouvir amabilidades.

Depois, se tenho que escolher quem vai operar meu coração, será aquele cirurgião taciturno, caladão e sorumbático que ganhou o premio Nobel após fazer milhares de transplantes bem sucedidos ou o garotão gente boa que me deu um belo sorriso e saiu ontem da faculdade?

A enorme simpatia do Papa João Paulo II cativava todo mundo (tive a sorte de poder comprová-la de perto) e fez um bem enorme à Igreja e às almas. O Papa atual não tem o mesmo carisma, mas se somos cristãos crescidinhos, que diferença isso pode fazer? E para a Igreja Universal, ele pode fazer tanto ou mais que o Papa anterior. De repente o Papa São Gregório Magno era um ranzinza de marca maior e um daqueles da Renascença que envergonharam o papado era a gentileza em pessoa. Considerando-se em perspectiva, qual a relevância?

A sobrevalorização da simpatia do padre no fundo, no fundo denota certa infantilidade ou é uma mera justificativa para a falta de fé e de amor. Com frequência os sacerdotes são alvos de alguma cobrança aqui no blog, mas não podemos querer deles a perfeição sempre e em tudo, certo?

Este post está muito longo... para ler a continuação clique aqui.

quarta-feira, 7 de março de 2012

O padre que "veio para escrever uma história de exemplo"

São João Maria Batista Vianney,
o Cura d'Ars, padroeiro dos sacerdotes

Na semana passada o Zero Hora, principal jornal do Rio Grande do Sul, trouxe uma lamentável manchete: "Justiça aceita denúncia contra padre que teria utilizado dinheiro de paróquia para assistir à Copa do Mundo". Vou poupá-los dos detalhes, mas observo que até o bispo, que certamente nada tinha a ver com o assunto e agiu com toda a boa-fé,  foi incluído na denúncia do Ministério Público.

Algumas semanas antes o Papa lembrava aos alunos de um seminário em Roma:
...a formação do presbítero exige integridade, plenitude, exercício ascético, constância e fidelidade heróica, em todos os aspectos que a constitui; no fundo, deve existir uma vida espiritual sólida, animada por uma relação intensa com Deus nos planos pessoal e comunitário, com atenção particular às celebrações litúrgicas e à frequência dos Sacramentos. A vida sacerdotal exige uma aspiração crescente pela santidade...
Como é possível tamanho contraste? Por um lado um ideal altíssimo e por outro uma realidade deplorável... Algumas vezes a realidade pode ser mascarada pela hipocrisia, mas em outros casos, o problema é patente e se prenuncia com antecedência. Googlando o nome do padre em questão, logo no primeiro resultado encontramos:
"Natural da Polônia, o padre Roberto morou 2 anos na Itália antes de vir ao Brasil. Ele possui cabelo comprido, usa aparelho nos dentes e acabou tornando-se referência para a juventude. Joga futebol, é campeão no boxe, gosta de saltar de pára-quedas, é formado em jornalismo e medicina e atualmente faz doutorado em bioética (*). Em Áurea, padre Roberto também participa do grupo folclórico Auresóvia. Durante a 10ª Czarnina, o padre Roberto fez um discurso para abençoar a festa. Depois apresentou-se numa das danças do grupo folclórico e por último dançou o baile com a cônsul Dorota Barys. Definitivamente, é um padre que veio para escrever uma história de exemplo aos jovens aureenses."
Houve certa ingenuidade dos paroquianos e das autoridades políticas, diplomáticas, jornalísticas e ecl... deixa pra lá. Vamos nos lembrar da importância de pedir ao Cura d'Ars pela santidade dos sacerdotes, como quer o Papa.

Uma última dúvida: a notícia diz que o padre hoje "está morando e trabalhando na Polônia". Como sacerdote?!?

(*) esse ostentoso currículo me parece tão confiável quanto os balancetes da paróquia

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Padre realiza dança indiana na Missa

Pe. Joachim Andrade, Provincial dos Verbitas, anteontem em Itaici
O Padre Joachim Andrade, SVD, realizou uma dança indiana na Missa de abertura (o link é da Revista Missões porque a CRB retirou a informação do seu site) do penúltimo dia do Seminário para a Vida Religiosa Consagrada, promovido pela Conferência dos Religiosos do Brasil. O Seminário terminou ontem em Itaici, São Paulo.

A questão das Missas inculturadas já foi tema de outros posts deste blog.

O Pe. Joachim é o Superior da Província Brasil Sul dos Verbitas, com sede em Curitiba. No vídeo abaixo vemos outra apresentação sua, em uma Missa ocorrida em Brasília em 2009:

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

A Igreja e as perucas


Quando comecei a escrever o blog receava que as Missas de domingo, embora não fossem tema exclusivo, durassem pouco tempo como fonte de inspiração. Ledo engano.

Como diz a marchinha, não me leve a mal / hoje é carnaval.

Na Missa do domingo passado desconfiei que o celebrante estivesse usando peruca, mas não posso confirmar. Ao contrário do caso de um pároco da Zona Sul do Rio, cuja peruca era motivo de chacota geral. Dava para se perceber a uma boa distância e de perto me parecia que o pobre ancião tinha um ninho na cabeça. Penso que pior do que homem com peruca só mesmo homem com peruca de má qualidade.

E nem mesmo figuras insignes estão isentas de suspeita.

Já ouço as objeções. "Mas Fidelis, não seja implicante!". Tudo bem, reconheço que usar peruca não está tipificado sequer como contravenção leve na lei civil, nem na eclesiástica. Mas o que de fato me preocupa é pensar que os padres talvez estejam muito sós e abandonados. Será que não contam com uma voz amiga para lhes dizer ao ouvido: "na boa? acho que não é por aí... não ficou bom, está até meio ridículo..." ?

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

O Sermão e a Liturgia

S. João Crisóstomo pregando diante da Imperatriz Eudóxia, Joseph Wencker

Há vários posts nesse blog que tratam da importância de um bom sermão na Missa.

No entanto, há quem pondere: existem pessoas com enorme talento para a oratória e outras com pouquíssimo. Não há como negar. Aliás, pessoas com o dom da palavra poderiam usá-lo para ludibriar os outros ou para iludi-los sobre o que de fato levam no coração.

Nem todos os sacerdotes tem a mesma capacidade para pregar. Vamos então fazer um contraponto: o sermão é importante, mas não é o mais importante na Missa. Como sempre repito, a Missa é a renovação do sacrifício de Cristo na Cruz. Tenho ouvido e lido várias opiniões que coincidem em afirmar: então que a liturgia seja bem cuidada. Concordo plenamente: se o sacerdote não foi muito feliz no sermão, mas esmerou-se em celebrar com piedade, devoção, reverência e atenção às rubricas, estará ajudando a que os fiéis tenham o máximo proveito ao assisti-la.

Como diz o ditado, o exemplo vale mais do que mil palavras.

Ou, lembrando de um post antigo, o povo gosta é de seriedade litúrgica; quem gosta de criatividades bizarras é o clero sem noção.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Pastora se converte: "Não necessito ser sacerdote"

Patty Ryle Clay (foto) formou-se em Teologia e foi pastora da Igreja Metodista por 23 anos, até se converter ao Catolicismo.

Tem saudades do que abandonou: "Nunca mais celebrarei a Eucaristia. As idéias que eu elaborar para um sermão jamais serão escritas, ficarão guardadas em segredo no meu coração. O privilégio sagrado de enterrar uma pessoa querida ou batizar um bebê ficarão como experiências do passado."

Mas sabe que fez um ótimo negócio: "Não estou certa se eu consegui entender por completo a grandeza da decisão, ou a alegria que eu continuo sentindo por ser uma nova Católica. E não sei se algum dia vou conseguir. (...) Digo às pessoas que sou católica principalmente por isso: a lembrança diária de que Cristo é suficiente. Digo-lhes que eu não quero e nem preciso ser sacerdote, mesmo se as mulheres católicas fossem algum dia ordenadas. Agora estou numa viagem diferente."

Fala do seu processo de conversão: "Quando reflito sobre o meu passado - o rosário que encontrei a meus pés no meio do mato quando eu estava rezando aos 15 anos, o perceber aos poucos que tenho sido contemplativa ao longo de toda a vida, a atração e a afinidade com as mulheres místicas medievais, a desejo profundo de viver em comunidade cristã - sei que todos esses fatores e outros mais me levaram a um ponto em que não havia mais volta. A decisão estava quase feita para mim. Só me restava levantar-me no altar e abraçá-lo."

Conta que chorou silenciosamente no dia em que foi batizada, "como eu faço agora em toda Missa".

Hoje em dia há muita discussão inútil sobre as funções que as mulheres devem ou não desempenhar na Missa como ministra disso ou daquilo, acólita, etc. Como se a participação de alguém na Missa dependesse de "fazer" alguma coisa.  Patty Ryle Clay “escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada” (Lucas 10:42). 

Ela tem um blog, Mistical Union Incarnation, onde relata os fatos acima.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Sacerdote, presente de Deus para o mundo


Ainda o vídeo que seja narrado em espanhol, dá para entender. Nos seus últimos momentos de vida no ano de 2071, o protagonista deste curta-metragem, revê todo o seu ministério. Quando olha para sua infância e sua juventude, lembra do feliz dia em que cruzou com um grupo de jovens carregando uma cruz pelas ruas. O encontro com o Papa na Jornada Mundial da Juventude 2011 o levou a levar adiante sua vocação sacerdotal. Era a audácia de Deus,  chamando-o para ser um padre. A partir desse momento todo o seu ser tem sido uma dádiva para o mundo.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Sou um padre casado mas defendo o celibato

Nelson Rodrigues já dizia, há mais de 40 anos: Os padres exigem o fim do celibato. Portanto, odeiam a castidade. Imaginem um movimento de meretrizes a favor da castidade. Pois tal movimento não me espantaria mais do que o motim dos padres contra a própria.

Pois o Padre Richard Cipolla (foto) concorda com o dramaturgo. Era sacerdote episcopaliano (anglicano dos Estados Unidos) e casado e se converteu em 1984 ao Catolicismo. Acolhendo-se a uma norma especial da Igreja para convertidos, ordenou-se sacerdote católico naquele mesmo ano e hoje é pároco em Norwalk, Connetticut. O fato de ter esposa e dois filhos não o impede de afirmar: 
Apesar da minha situação, (...) sou um firme defensor do celibato sacerdotal. E não por me apoiar nos concílios ou nos papas, mas na pessoa de Cristo. O cerne do sacerdócio católico é o sacrifício, e o celibato, imitando a Cristo, libera o sacerdote para que possa se oferecer totalmente à Igreja e ao seu rebanho (...)
Atualmente é muito necessária uma reforma do sacerdócio. A resposta não está em padres casados. A resposta está em sacerdotes que entendam o sacrifício que está no centro de suas vidas.
 Parabéns ao Padre Richard pela clareza de idéias!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

A igreja está vazia: para dar a paz, o padre olha pela janela

Mercado de Gode, entre a Etiópia e a Somália
O Padre Christopher Hartley foi para Gode, após procurar no mapa da África um lugar onde provavelmente nenhum missionário católico havia pisado. Há três anos celebra Missa para uma igreja vazia. Segundo suas próprias palavras en Religión en Libertad:
Você sabe que há três anos e pouco rezo a Missa para mim. Ninguém vem à capela. Quando dou a paz, olho pela janela, porque a igreja está vazia. Eu olho pela janela e dou a paz para a Somália inteira. Somália, que a paz esteja com você, eu digo. É a minha vocação.
Imagino que o Padre Christopher conheça as palavras de Dom Columba Marmion: "se um padre não fez nada mais durante toda sua vida do que oferecer o Santo Sacrifício piedosamente todas as manhãs,(...) ele teria feito algo maior na hierarquia de valores do que esses acontecimentos que revolucionam o mundo".

Se o Padre Christopher está oferecendo a Missa piedosamente todas as manhãs, mesmo sem presidir assembléia alguma, está fazendo mais diante de Deus do que milhões de pessoas lendo ou escrevendo blogs.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Vaticano contrata volante do Manchester United


Phil Mulryne começou sua carreira no Manchester e jogou 27 vezes pela seleção da Irlanda no Norte. Pendurou as chuteiras aos 30 anos, devido a contusões. Um ano depois decidiu ser padre e agora está estudando no Pontifício Colégio Irlandês, em Roma.

Como noticia Religion en Libertad, tinha fama de ser um cara divertido, bom companheiro, extrovertido e um pouco indisciplinado. Em 2005 foi cortado da seleção por sair da concentração para ir tomar umas cervejas.

Dedicava-se a trabalhos sociais e ajudava com frequência os sem-teto. Isso chamou a atenção do Bispo de Down and Connor, Noel Treanor, que lhe propôs a possibilidade da vocação sacerdotal.

Em resumo, uma ótima contratação!

Gol de cabeça em sua estréia pela seleção da Irlanda no Norte

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Queda de braço de pároco acaba mal


Um sacerdote em Illinois acabou renunciando à sua função de pároco, após se recusar a acatar determinação do bispo de seguir fielmente os textos litúrgicos.

A queda de braços era antiga: primeiro com o bispo anterior e por cinco anos com o bispo atual. Em dezembro entrou em vigor nos Estados Unidos a nova tradução oficial do Missal Romano. O bispo voltou a alertar o pároco, mas este não cedeu: "Eu lhe disse que não poderia fazer isso. É o meu modo de rezar." Humm... acho que esse sacerdote se esqueceu de que na liturgia católica é a Igreja que reza.

Uma lástima que se tenha chegado a esse ponto.

Já postei sobre esse tema. Acho que normas existem para serem respeitadas e que a regrinha litúrgica Leia o preto e Faça o vermelho (*) ajuda a que a Missa seja celebrada e assistida com piedade e proveito.

Como em outras áreas, a improvisação pode levar ao desleixo ou à arbitrariedade. Conforme o ditado, "o combinado não é caro, nem barato"

(*) referência às cores usadas no missal para indicar o que o padre deve dizer e fazer durante a missa

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Não aceite imitações, exija as legítimas!

Dom Columba Marmion, abade beneditino irlandês 
Por essas poucas linhas abaixo dá para se ver o que é, ou o que deve ser, uma Missa e um sacerdote. Esse é o gabarito, o resto é imitação.
A Missa e o Sacerdócio
O sacerdote é elevado a uma dignidade que é, em certo sentido, divina, pois Jesus Cristo identifica-se com ele. Seu papel como mediador é a mais alta vocação neste mundo. Vale a pena repetir: se um padre não fez nada mais durante toda sua vida do que oferecer o Santo Sacrifício piedosamente todas as manhãs, ou mesmo se ele o tivesse oferecido apenas uma vez, ele teria feito algo maior na hierarquia de valores do que esses acontecimentos que revolucionam o mundo. Pois o efeito de cada Missa vai durar eternamente e nada é eterno a não ser o divino.
Devemos orientar toda o dia para a Missa. É o ponto central e o sol do dia. É, como sempre foi, o foco de onde nos vem luz, fervor, luz e alegria sobrenatural.
Devemos ter esperança de que, pouco a pouco, o nosso sacerdócio possa se apossar da nossa alma e da nossa vida, de forma que se possa dizer de nós: "ele é sempre um sacerdote." Este é o efeito de uma vida Eucarística, impregnada do perfume do sacrifício que nos faz um alter Christus, um outro Cristo.
Dom Columba Marmion, conferência aos sacerdotes sobre a Santa Missa
fonte: Vultus Christi, tradução e negrito de Missa aos domingos
E convém dar um passinho mais: partindo desse gabarito, qual deve ser nossa atitude ao assistir a Missa?