Mostrando postagens com marcador liturgia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador liturgia. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 16 de abril de 2012

A formação litúrgica nos seminários é deficiente


Com relação à Liturgia da Santa Missa, como o Sr. vê a formação dentro dos seminários brasileiros para que os seminaristas tenham uma boa instrução sobre o que é a missa e como celebrá-la com dignidade?

Dom Antonio Carlos Rossi Keller, Bispo de Frederico Westphalen: Em geral, a formação é deficiente. Estuda-se a teologia litúrgica, muitas vezes a partir de autores que não tem uma visão da liturgia suficientemente católica. Nos estudos sobre a liturgia, predomina a opinião pessoal de determinado liturgista, muitas vezes, opinião que contradiz aquilo que a Igreja ensina e determina, especialmente nos últimos Documentos que são normativos, em relação à Sagrada Liturgia. Além disso, falta nos estudos litúrgicos, a meu ver, a “alma” da Liturgia. Uma liturgia sem espiritualidade, sem a consciência de que, antes de tudo, liturgia é oração, acaba caindo no mesmo ritualismo que tantos modernos liturgistas criticam do passado: só que é o ritualismo do inventar, da novidade, que também não tem alma. A meu ver, a formação litúrgica dos seminaristas e também aquela dos padres, deve centrar-se nestes dois eixos: a fidelidade às Normas litúrgicas vigentes e a preocupação constante de fazer da liturgia oração.

A íntegra da entrevista está no blog Encontro com o Bispo

sábado, 14 de abril de 2012

A liturgia é Alguém que vem nos encontrar



O Intróito nos recebe na entrada da Missa. É como um arco do triunfo coroando uma estrada romana, um pórtico através do qual nos acercamos ao Mistério, uma mão estendida para uma criança que chora, um companheiro amado na tristeza do exílio. A liturgia não é uma fórmula. É Alguém que vem ao nosso encontro.

 ~ Pe. Maurice Zundel, O Esplendor da Liturgia (in Vultus Christi)

quarta-feira, 28 de março de 2012

A linguagem da celebração litúrgica, pelo Mestre

O Mestre auxiliando o Papa
Mons. Guido Marini é o Mestre das Cerimônias Litúrgicas Pontifícias, ou seja, em termos de liturgia ele é o cara. 

No último sábado, deu a palestra inaugural de um curso sobre Ars celebrandi, intitulada "A linguagem da celebração litúrgica", publicada em português no site do Vaticano. Caso você não queira ler a íntegra, o que seria uma pena, seguem algum trechos (negritos meus):

Não é possível começar um curso sobre a ars celebrandi, abordando a temática da linguagem da celebração litúrgica, sem evocar no pensamento a famosa citação da exortação apostólica pós-sinodal Sacramentum caritatis, de Bento XVI: «Igualmente importante para uma correcta ars celebrandi, arte da celebração, é a atenção a todas as formas de linguagem previstas pela liturgia: palavra e canto, gestos e silêncios, movimento do corpo, cores litúrgicas dos paramentos(...). A simplicidade dos gestos e a sobriedade dos sinais, situados na ordem e nos momentos previstos, comunicam e aliciam mais do que o artificialismo de adições inoportunas. A atenção e a obediência à estrutura própria do rito, ao mesmo tempo que exprimem a consciência do carácter de dom da Eucaristia, manifestam a vontade que o ministro tem de acolher, com dócil gratidão, esse dom inefável» (n. 40)
...
A presença misteriosa e real de Cristo na liturgia e o seu ser protagonista no rito celebrado exige da linguagem litúrgica o esplendor da nobre simplicidade, segundo a célebre afirmação do Concílio Vaticano II (cf. Sacrosanctum concilium, 34). Falei sobre o «esplendor da nobre simplicidade», porque esta é a expressão completa utilizada pelos Padres conciliares. (...) estão distantes da verdade aquelas insistências acentuadas em evocar uma determinada simplicidade que, por vezes, induziram a tornar o rito litúrgico aproximativo, banal, maçante e até insignificante. Trata-se de um modo de entender a simplicidade não fundamentado no ensinamento da Igreja e na sua grandiosa tradição litúrgica. Para não dizer que, em algumas ocasiões, tal modo de considerar a nobre simplicidade se traduz naquela que poderíamos definir uma nova complexidade pouco nobre (...) quando a liturgia se torna teatro de ideias subjectivas e extemporâneas, com a inserção de símbolos desprovidos de um significado autêntico...
...
da essência da liturgia faz parte o fato de que ela contém em si antes de tudo a característica da catolicidade, onde unidade e variedade se compõem em harmonia, a ponto de formarem uma realidade substancialmente unitária, não obstante a legítima diversidade das várias formas. E além disso, a característica da não-arbitrariedade, que evita confiar à subjectividade do indivíduo ou do grupo aquilo que, ao contrário, pertence a todos como um tesouro recebido, que deve ser conservado e transmitido. E ainda a característica da continuidade histórica, em virtude da qual o desenvolvimento desejável se parece com o de um organismo vivo que não renega o próprio passado, atravessando o presente e orientando-se para o futuro.
...
a participação consciente, concreta e frutuosa, na liturgia, verifica-se na medida em que cada um e todos compartilham o agir da Igreja, que tende ao Esposo e, portanto, deixemo-nos envolver pela obra do Esposo, que é sacrifício de amor ao Pai pela salvação do mundo.
...
é indispensável suscitar um renovado amor por aquilo que é objectivo, uma adesão convicta e ministerial ao rito, a ser entendido não como aspecto coercitivo da expressividade mas, pelo contrário, como uma condição indispensável para uma expressividade autêntica e verdadeiramente comunicativa do mistério de Cristo, celebrado na Igreja.

terça-feira, 27 de março de 2012

Bispos condenam abusos das Missas de cura e libertação

Para ver imagens no Google, clique aqui

Um grupo de bispos colombianos redigiu uma longa e detalhada Carta Pastoral Sobre as chamadas "Missas de cura" (se quiser ler, clique em "view in full screen" na barra inferior de menu).


O bispo de Medellin, um dos autores, dirigiu aos seus fiéis a mensagem transcrita a seguir, que sintetiza as principais idéias da Carta Pastoral:

As chamadas "Missas de cura"

Depois de muita reflexão e cuidadoso discernimento, os Bispos das Províncias eclesiásticas de Medellin e de Santa Fé de Antioquia [englobam um total de 13 bispos e 10 dioceses] decidimos escrever a todos os sacerdotes, religiosos e fiéis de nossas dioceses uma Carta Pastoral Sobre as chamadas "Missas de cura". Vimos necessário uma orientação sobre iniciativas e eventos que foram se espalhando em algumas paróquias, que seguramente apresentam  aspectos e procedimentos que não estão de acordo com a doutrina, a liturgia e a prática pastoral da Igreja.

Com o ambíguo nome de "Missa de Cura" (pois em todas as missas a Palavra e o Corpo de Cristo podem nos curar) se designa uma certa maneira de manipular a celebração desse Sacramento, com interesses diversos que vão desde as melhores intenções até a simonia [venda de bens espirituais]. É necessário evitar que este tipo de celebração se preste à exploração da emotividade, da necessidade de cura e da visão fantasiosa que algumas pessoas podem ter. Acima de tudo, nunca se pode aceitar que se faça negócio com o sofrimento das pessoas.

A Igreja sempre rezou e continua hoje a rezar para pedir o restabelecimento da saúde dos enfermos. O que preocupa é a introdução de certas formas e objetos na oração, e mesmo na liturgia, como que para pressionar a Deus e garantir aos que sofrem que receberão a graça suplicada. Algumas vezes se chega a uma espécie de oferta comercial de curas e de objetos "miraculosos" que as facilitam. Com isso se produzem graves confusões na comunidade, como a de atribuir a graça de Deus a pessoas, lugares, tempos e objetos especiais ou exclusivos.

Junto com as erroneamente chamadas "Missa de cura" também são promovidos exorcismos, unções, orações de libertação e outras práticas que alteram gravemente o sentido da vida sacramental da Igreja. Na realidade, através da catequese e de celebrações dignas, devemos procurar que tanto a Eucaristia como os sacramentos da Penitência e da Unção dos Enfermos, instituídos por nosso Senhor Jesus Cristo, ajudem com a graça de Deus às pessoas que precisam de auxílio espiritual.

Como o assunto é vasto e complexo, a partir dos ensinamentos dos últimos Papas e de outros documentos da Santa Sé quisemos escrever esta Carta Pastoral para dar uma instrução mais precisa e completa. Convido os sacerdotes a divulgar esta Carta e os fiéis a que a adquiram. Espero também que seja estudada em grupos e comentada. Acima de tudo, peço encarecidamente que seus ensinamentos sejam postos em prática.

A partir de agora deve ficar claro que devemos celebrar e aproveitar devidamente os sacramentos da Eucaristia, da Penitência e da Unção dos Enfermos; que para celebrar Missas nas quais se queira pedir de modo especial a cura dos enfermos se requer uma permissão por escrito do Bispo e que nelas fica proibido receber qualquer estipêndio ou oferta. Não podem ser mais admitidas formas degradantes de comércio, onde são vendidos serviços religiosos ou objetos benzidos ou onde de alguma forma se cobra para que os fiéis obtenham as graças de Deus.

+ Ricardo Restrepo Tobon
Arcebispo de Medellín


tradução, negritos e [comentários]: Missa aos domingos

quinta-feira, 22 de março de 2012

A eterna questão das palmas na Missa


O Salvem a Liturgia traz um interessante post sobre o tema, respondendo à pergunta de uma leitora: "Gostaria de receber esclarecimentos com relação à palmas: neste momento que vivemos, o período da quaresma (sabemos que é um período de conversão e introspecção), em que situações pode-se tolerá-las (palmas)? (...)"

Seguem trechos da resposta:
Na Missa não se batem palmas nunca. Não importa quão festivo seja o dia. Na Quaresma não paramos de bater palmas, simplesmente porque nunca começamos. Em nenhum tempo litúrgico se batem palmas na Missa. Nem mesmo na Páscoa.(...) 
A Santa Missa é o Sacrifício do Calvário tornado presente, e bater palmas em tal momento é simplesmente absurdo. É de mau gosto e incorreto bater palmas ritmadamente para acompanhar música. Trata-se de mais uma influência de programas de auditório na Sagrada Liturgia. 
(...) A autêntica música litúrgica não usa bateria nunca.(...) 
Finalmente, o Sinal da Cruz não deve ser substituído por música. Deve ser simplesmente "Em nome do Pai..." pronunciado pelo sacerdote, com a resposta "Amém" pelos fiéis (...) 
Em resumo:
1 - Não se batem palmas ritmadas na Missa. Nunca. Em nenhum tempo litúrgico.
2 - Não se usa bateria na música litúrgica.
3 - Não se substitui o Sinal da Cruz por música nenhuma.
Vale a pena ler o post completo. 

Quero acrescentar apenas o seguinte: ainda que não se tenha mencionado, cabe aplaudir em certas situações. Na Missa de beatificação de João Paulo II, após a sua proclamação houve um aplauso de quase dez minutos. Nada mais lógico; o contrário seria de se estranhar. Mesmo no funeral de João Paulo II, houve vários momentos de aplauso. 

Acho que o post não se refere a esse tipo de palmas em situações extraordinárias, mas sim às que acompanham os cânticos da Missa. Se bem que também cabe o exagero em situações (não tão) extraordinárias. Como bem lembrou o post citado, cuidado com a influência dos programas de auditório

quinta-feira, 15 de março de 2012

Como ir à Missa e não perder a Fé


O título do post não é uma simples provocação de um blogueiro obscuro. É de um livro lançado há um ano por Mons. Nicola Bux, que é nada menos do que consultor do Ofício de Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice.

O site do Vaticano publicou há algumas semanas um artigo de Mons. Bux, em que ele afirma:

(...) a liturgia é bênção de Deus, palavra e dom, e adoração humana, ou seja, ação de graças (eucaristia) e oferecimento. Não está toda a Santa Missa nesta definição? Ninguém pode deixar de definir assim a sagrada liturgia, ou seja, sacramento. A adoração não é outra coisa que a mesma liturgia. Qualquer tentativa de separar as duas coisas vai contra a fé e a verdade católica.

Não se sustenta hoje que o homem adora a Deus com todo o seu ser? Quer dizer com a alma e com o corpo. (...) Se abençoar quer dizer adorar, a bênção ou adoração na Escritura está documentada pela prostração e pelo dobrar os joelhos fisicamente e metafisicamente o coração. Só o diabo não se ajoelha, porque - dizem os Padres do deserto – não tem os joelhos. Assim, São Paulo vê diante de Jesus a consonância entre história sagrada e o cosmos: todo joelho se dobre, no céu, na terra e debaixo da terra. Conseqüência concreta: o gesto do ajoelhar-se deve voltar a ter a primariedade no rito da Missa, no desenvolvimento, inspiração e sabor da música sacra, nos objetos sagrados: uma igreja sem genuflexórios não é uma igreja católica. Por que prostrar-se? Porque a bênção divina se manifesta especialmente com  “a presença de Deus no templo” (CIC, 1081): diante da Sua presença, o primeiro e fundamental gesto é a adoração.

dica: Fratres in Unum

sexta-feira, 9 de março de 2012

Bem está o que bem acaba


No último post do gênero, a queda de braço acabou mal. Felizmente, dessa fez foi diferente.

O Cardeal Wim Eijk (*), Arcebispo de Utrecht, Holanda, tinha punido um sacerdote devido a sérios desrespeitos às normas litúrgicas durante a homilia e a Oração eucarística da Missa. Como o sacerdote se desculpou publicamente pelos abusos, foi perdoado e reconduzido às funções paroquiais.

O cardeal Eijk escreveu no último dia 5 de março uma carta pastoral sobre o cuidado com a liturgia (aqui o original em holandês). Explicou sua intenção de "promover a ordem geral de toda a Igreja e, portanto, instaurar a observância de todas as leis eclesiásticas" conforme a obrigação canônica dos Bispos (Cân. 392 § 2). Pediu que todos os agentes pastorais "conheçam e observem com cuidado", as normas litúrgicas. Alertou a todos que "se, no futuro, as normas vigentes para a Sagrada Eucaristia forem violadas, eu não hesitarei em impor penas canônicas, até mesmo com a retirada da Missio Canonica" (faculdade para atuar como padre).

Entre os abusos que ele aponta na carta estão homilias pregadas por leigos, ou incentivar os fiéis a rezar em voz alta partes da Oração eucarística. O Arcebispo sublinha que estas orações devem ser ditas só pelo sacerdote.

Ele ressalta que os católicos têm o direito de se manifestar contra os abusos litúrgicos e levá-los ao conhecimento das autoridades competentes, sem qualquer objeção por parte de funcionários da Diocese.
fonte: The Eponymous Flower


(*) PS. Como bem destacou La cigueña de la torre, é o terceiro cardeal mais jovem da Igreja.
A edição de amanhã, 11 de março, de L'Osservatore Romano traz uma notícia a respeito:

quarta-feira, 7 de março de 2012

A liturgia é intrinsecamente vinculada com a beleza

Basílica de São Pedro, 6 de junho de 2010
Trechos do discurso do Cardeal Cañizares, Prefeito da Congregação para o Culto Divino e para a Disciplina dos Sacramentos, na apresentação do livro A concelebração eucarística - Do símbolo à realidade, de Dom Guillaume Derville, na Universidade Pontifícia da Santa Cruz, em Roma (negritos meus):

Quando evocamos o relato da transfiguração, brotam espontâneas em nossa mente as palavras glória, fulgor, beleza. São expressões que se aplicam diretamente à liturgia. Como Bento XVI nos lembra, a liturgia é intrinsecamente vinculada com a beleza. “A verdadeira beleza é o amor de Deus, que nos foi definitivamente revelado no mistério pascal” (Sacramentum Caritatis, 35).

(...) Daí que a liturgia, como parte do mistério pascal, seja uma “expressão excelsa da glória de Deus e, de certa forma, constitui o céu que desce à terra . (...)  a beleza não é um fator decorativo da ação litúrgica, mas seu elemento constitutivo, enquanto atributo do próprio Deus e da sua revelação. Tudo isto nos há de tornar conscientes da atenção que se deve prestar à ação litúrgica para que brilhe segundo a sua própria natureza ” (ibidem).

(...) a concelebração, segundo a genuína tradição da Igreja, tanto oriental quanto ocidental, é um rito extraordinário, solene e público, ordinariamente presidido pelo bispo ou por seu delegado, rodeado pelo seu presbyterium e por toda a comunidade dos fiéis. Por outro lado, a concelebração cotidiana, em uso entre os orientais, e na qual concelebram somente presbíteros, assim como a concelebração “privada” em substituição das missas celebradas individualmente ou more privato, não se encontram na tradição litúrgica latina.

(...) Como afirma Bento XVI, “recomendo aos sacerdotes a celebração diária da Santa Missa, mesmo quando não houver participação de fiéis. Tal recomendação é ditada, ante de mais, pelo valor objectivamente infinito de cada celebração eucarística; e é motivada ainda pela sua singular eficácia espiritual, porque, se vivida com atenção e fé, a Santa Missa é formadora no sentido mais profundo do termo, enquanto promove a configuração a Cristo e reforça o sacerdote na sua vocação ” (Sacramentum Caritatis, 80).

Para cada sacerdote, a celebração da Santa Missa é a razão da sua existência. Ela é, ela tem que ser, um encontro personalíssimo com o Senhor e com a sua obra redentora. Ao mesmo tempo, cada sacerdote, na celebração eucarística, é Cristo mesmo presente na Igreja como Cabeça do seu corpo, e age em nome de toda a Igreja “quando apresenta a oração da Igreja e quando oferece o sacrifício eucarístico” (Catecismo, 1552). Diante da maravilha do dom eucarístico, que transforma e configura com Cristo, só nos cabe a atitude do estupor, da gratidão e da obediência.

PS. o post ficou longo, mas o texto tem tudo a ver com o blog. Vale a pena ler a íntegra.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Aprenda a inculturar em 5 parágrafos

O leitor Centristian deu uma aulinha simples e grátis sobre inculturação na liturgia ao comentar o post do Father Z sobre a dança indiana na Missa:

Embora eu considere importante que o ambiente litúrgico reflita, até certo ponto, a cultura da igreja local, acho igualmente importante que o espaço sagrado e o estilo do culto público da Igreja Católica sejam respeitados. Quando um elemento da cultura local pareça entrar em conflito com as expectativas do culto católico, o elemento cultural deve ceder.

Nem todo elemento de uma dada cultura é bom, muito menos digno de um santuário ou da liturgia. O fato de que algo seja típico não o torna necessariamente sagrado. Se fosse assim, os padres americanos iriam, com razão, querer permissão para usar chapéu de cowboy ou boné de baseball em vez de barrete, e seriam compostos cânticos litúrgicos com letra dos textos sagrados e música do "Hino do Corinthians" e do "Ai se eu te pego"(*). Não fazemos isso, no entanto, porque sabemos qual é o lugar para esses elementos em nossa cultura, e que o que é próprio para um evento esportivo ou para um rodeio pode não ser próprio para uso na liturgia do Rito Romano.

Quando pensamos em incorporar a cultura local na liturgia, deve haver determinados limites. Primeiro, abrindo mão de elementos culturais sem valor que aviltam a liturgia, ou até mesmo de elementos culturais significativos que alteram ou obscurecem o sentido da liturgia. Mesmo algo que é belo em si (como a dança indiana mostrado no vídeo) pode não encontrar na liturgia a melhor oportunidade para a sua expressão. O óleo e a água são bons e úteis, mas não tem sentido misturá-los.

O outro lado da moeda é que o católico ocidental não pode confundir "Católico" com "europeu" ou "ocidental" e se ofender com a influência "estrangeira" na arte cristã, na arquitetura eclesiástica, na música litúrgica ou nas expressões do culto. Se olharmos somente para o Ocidente, veremos que a legítima diversidade prolifera, como deveria. Mesmo nos restringindo apenas aos Estados Unidos vamos encontrar muitas expressões diferentes da legítima inculturação. Compare uma igreja no subúrbio de Massachussetts, por exemplo, com uma das capelas históricas das missões do Novo México e você verá uma semelhança apenas no essencial (ambas têm bancos, um corredor e um altar). As expressões artísticas, no entanto, refletindo duas culturas muito diferentes, serão totalmente contrastantes.

E um santuário ostentando coloridos e misteriosos retábulos pintados a mão, atrás de altares com talhas e imagens de santos com vistosas coroas e rebuscadas vestes, representa uma expressão perfeitamente aceitável do ambiente do culto católico, da mesma forma que uma igreja espartana e austera no subúrbio da Nova Inglaterra. Mesmo que ambos os estilos sejam com certeza católicos, eles não são equivalentes. Os santuários anti-sépticos da Nova Inglaterra não serão adequados para a piedade dos latinos e as igrejas com um estilo muito rebuscado de influência espanhola ou mexicana não favorecem os que tem ascendência européia. Há um sentido, portanto, em que a cultura da igreja local deve moldar o ambiente litúrgico. Isso se estende também para o culto, em termos da música e até mesmo de certos elementos da cerimônia.
(*) tradução, adaptação dos títulos musicais e negrito: Missa aos domingos

Se você leu até o final, grite comigo: Centristian para Bis... ops, estou pressupondo que é homem. Vamos mudar para: Centristian para chefe plenipotenciário dos liturgistas católicos!

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Padre realiza dança indiana na Missa

Pe. Joachim Andrade, Provincial dos Verbitas, anteontem em Itaici
O Padre Joachim Andrade, SVD, realizou uma dança indiana na Missa de abertura (o link é da Revista Missões porque a CRB retirou a informação do seu site) do penúltimo dia do Seminário para a Vida Religiosa Consagrada, promovido pela Conferência dos Religiosos do Brasil. O Seminário terminou ontem em Itaici, São Paulo.

A questão das Missas inculturadas já foi tema de outros posts deste blog.

O Pe. Joachim é o Superior da Província Brasil Sul dos Verbitas, com sede em Curitiba. No vídeo abaixo vemos outra apresentação sua, em uma Missa ocorrida em Brasília em 2009:

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Música não é enfeite na Missa


Boa observação sobre música litúrgica, simples e fácil de entender,  no blog do Father Z:

Como a música sacra litúrgica não é um enfeite, mas parte integrante do culto litúrgico, já que é oração, deve ser ao mesmo tempo sagrada e artística. A letra deve ser o texto litúrgico. (...) A música precisa ser boa, bem composta, de elevado valor artístico. Deve ser bem executada. Deve ser sagrada e deve ser arte. Se o cântico escolhido não cumprir esses requisitos, não é adequado para a Missa. A própria música se torna oração dentro do contexto litúrgico. As pessoas rezam ao ouvir música sacra litúrgica quando é verdadeiramente arte e sagrada.

Não corremos o risco de errar quando nos atemos aos textos indicados pela Igreja para cada Missa ou Ofício divino. Não há modo de errar quando usamos canto gregoriano e polifonia e órgão, conforme os padres conciliares do Vaticano II estabeleceram como o gênero de música mais indicado para o culto sagrado.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

A liturgia exige sempre beleza nas celebrações

Catedral de Sevilha (vale a pena clicar para ampliar)

Trecho de um artigo do Bispo de Madison,  Dom Robert Morlino:

A liturgia exige sempre beleza nas celebrações

Desde a frequentemente confusa implantação do Concílio Vaticano II, muitas liturgias estão, vamos dizer, aquém da beleza. Confrontados com essa afirmação, o nosso povo e a nossa cultura replicariam: a beleza está nos olhos de quem vê, ou tudo é belo, ao seu próprio modo. Assim como a nossa cultura procurou relativizar tudo que é importante para a dignidade humana, afirmando que é da natureza humana não ter uma natureza, o mesmo ocorreu com a própria beleza.

A Beleza não está simplesmente no olhar do observador

Do ponto de vista racional, a beleza não está apenas no olhar do observador. Pois a razão nos diz que o belo, o bom, o verdadeiro e o uno são intercambiáveis​ e, portanto, tudo o que é belo também é bom e verdadeiro, e expressa a unidade e a harmonia.

A beleza não é aquilo que agrada a uma maioria em algum lugar. O fato de nossos paroquianos gostarem de entoar um cântico litúrgico não pode, por si só, tornar bonita essa canção. Ser bela, na verdade, é ser boa e ser verdadeira. Por mais que alguns gostem das esquisitices musicais de Lady Gaga, estas não podem, honestamente, ser descritas como belas.

Beleza significa, em primeiro lugar, espelhar a verdade. Algumas das músicas que cantamos na liturgia contém letras que claramente não são verdadeiras (...)

Dignificar a pessoa humana

Mas é igualmente importante que as coisas sejam boas para que também sejam consideradas belas. A verdade, que é revestida pela beleza, deve dignificar a pessoa humana ressaltando o que tem melhor na inteligência e no caráter. A beleza deve incorporar o que é verdadeiro, mas também deve enobrecer a nossa natureza humana criada à imagem e à semelhança de Deus. Tudo o que é belo deve fixar nossas mentes e nossos corações nas coisas do alto, de acordo com São Paulo (Fil. 4).

Quando percebemos que, para serem autenticamente belas, as coisas devem ser verdadeiras e dignificar nossa natureza humana, encontramos o rumo certo para a liturgia. Por ser a fonte e o ápice de nossas vidas como seguidores de Cristo, a liturgia não pode ser nada menos do que bela, bela a ponto de evocar a correta atitude sacramental de reverência, bela para condizer com a nossa comunhão com todos os anjos e santos na liturgia.

Assim, tudo o que havemos de fazer no futuro, buscando uma adoração cristocêntrica nas celebrações litúrgicas, deve ser nada menos do que belo, refletindo a perfeita beleza, unidade, verdade e bondade do objeto do nosso culto e da nossa adoração: o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
tradução Missa aos domingos

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Cristo é quem atua por excelência na Missa

A Missa de São Gregório, anônimo séc. XVI
O popular blog do Father Z tem como título: "O que a oração diz realmente?". Traz bons comentários sobre as orações das Missas de domingos e datas litúrgicas significativas.

Segue abaixo um trecho do post de ontem sobre a oração coleta da Quinta-feira depois das Cinzas:
Coleta: Inspirai, ó Deus, as nossas ações e ajudai-nos a realizá-las, para que em vós comece e termine tudo aquilo que fizermos. 
Cristo é quem atua por excelência na Missa. Nas ações do sacerdote, Cristo está agindo como a Cabeça do Corpo. Nas ações e na receptividade dos assistentes, Cristo está agindo como o Corpo, respondendo à Cabeça e sendo dirigido por ela. Juntos, ambos formam Cristo, Christus Totus, elevando ao céu o sacrifício para o Pai. Portanto a nossa participação deve ser em primeiro lugar e primordialmente uma receptividade ativa, de modo que tenhamos o que é bom para retribuir a Deus.

A dinâmica implícita na receptividade ativa é também encontrada na dupla de expressões "inspirai as nossas ações" e "ajudai-nos a realizá-las" (Coleta). Deus inicia em nós todas as coisas boas. Se nós cooperamos de modo consciente e voluntário com o que Ele inicia, Ele próprio as leva a termo através de nós, fazendo nossas mãos fortes o suficiente para segurar com firmeza as boas coisas que Ele nos deu para realizar.

Cada boa coisa que temos e fazemos é simultaneamente de Deus, em primeiro lugar, mas também autenticamente nossa. Como disse o grande Santo Agostinho de Hipona (430): quando Deus "coroa os nossos méritos, na realidade não coroa outra coisa senão os seus próprios dons".
.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Tesouro volta para casa

Cálice de prata de 1633
No blog inglês The hermeneutic of continuity vem uma boa notícia vinda daquela ilha: vários objetos litúrgicos recuperados. Estavam em propriedade de particulares e irão para a Igreja de Santo Agostinho, em Ramsgate: clique aqui para ver no Google Street View.

Entre eles estão uma custódia de 1850 e o cálice (foto) que pertenceu a uma família de católicos recusantes (fiéis durante a época em que a lei prescrevia a religião Católica) por várias gerações até o século XIX, quando o doaram à Igreja.

Utilizar objetos litúrgicos bonitos e ricos (ainda mais quando tem uma história bonita e rica) é uma forma de dar glória a Deus. Todos os paroquianos ficam felizes ao ver que na Missa se usa um cálice belo e valioso. E se não há um cálice digno na paróquia, lanço novamente o desafio: podem providenciar a rifa que, nesse caso, vai vender rapidinho.

Repito a citação, dessa vez no original: "pobre gosta de luxo, quem gosta de miséria é intelectual"

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

O Sermão e a Liturgia

S. João Crisóstomo pregando diante da Imperatriz Eudóxia, Joseph Wencker

Há vários posts nesse blog que tratam da importância de um bom sermão na Missa.

No entanto, há quem pondere: existem pessoas com enorme talento para a oratória e outras com pouquíssimo. Não há como negar. Aliás, pessoas com o dom da palavra poderiam usá-lo para ludibriar os outros ou para iludi-los sobre o que de fato levam no coração.

Nem todos os sacerdotes tem a mesma capacidade para pregar. Vamos então fazer um contraponto: o sermão é importante, mas não é o mais importante na Missa. Como sempre repito, a Missa é a renovação do sacrifício de Cristo na Cruz. Tenho ouvido e lido várias opiniões que coincidem em afirmar: então que a liturgia seja bem cuidada. Concordo plenamente: se o sacerdote não foi muito feliz no sermão, mas esmerou-se em celebrar com piedade, devoção, reverência e atenção às rubricas, estará ajudando a que os fiéis tenham o máximo proveito ao assisti-la.

Como diz o ditado, o exemplo vale mais do que mil palavras.

Ou, lembrando de um post antigo, o povo gosta é de seriedade litúrgica; quem gosta de criatividades bizarras é o clero sem noção.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Missa aos domingos apoia Flavio Capello


Fabio Capello acaba de ser demitido como treinador da seleção de futebol da Inglaterra. Esse infeliz destaque deu pé para que fossem lembradas algumas declarações interessantes que já fez:
As homilias intermináveis passam a idéia que você está na escola e não em um lugar onde se encontra com Deus. Prefiro menos conversa e mais simplicidade, mais objetividade.
A Missa perdeu um pouco o sentido de mistério para se converter quase numa liturgia-show.
Você não se lembra de já ter lido isso em algum lugar? Por exemplo...aqui e aqui.

Capello ultimamente era visto com frequência em Londres assistindo à Missa em latim, seja no rito de São Pio V (tridentino), seja no de Paulo VI (forma ordinária).

Fonte: Religión en Libertad

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

O Glossário de Pandora


O autor do interessante blog Sentinela no Escuro é formado em Biblioteconomia. O rigor próprio da profissão deve ter colaborado para a paciente pesquisa que ele fez: relacionar os diferentes nomes de missas temáticas/inculturadas recentemente noticiadas na internet. Encontrou cinquenta nomes, tais como: Missa Axé, Missa Circo, Missa Discoteca, Missa do Boi-bumbá. E, acredite se quiser, para cada um deles há o link para o texto jornalístico que utiliza o nome em questão.

Vale a pena conferir. O post conta a história da Pandora e conclui com dois tópicos que não deixo passar em branco: temos que rezar pelos sacerdotes e temos que denunciar e exigir nossos direitos. Bravo!

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Arquidiocese de Miami 2.0

Arcebispo Emérito John Favalora
A Arquidiocese de Miami era tão problemática que um grupo de fiéis fez um relatório chamado Miami Vice  para denunciar a situação. E Vice não com o sentido de sub (detetive) segundo a famosa série dos anos 80, mas como vício.

Em 2010 foi nomeado um novo Arcebispo, Dom Thomas Gerard Wenski, conhecido defensor das iniciativas pró-vida. Há 3 dias o Arcebispo celebrou uma Missa Solene Pontifical segundo a forma extraordinária para 1200 pessoas. Seguem algumas fotos, do site da Arquidiocese:



Uma salva de palmas para o Núncio Apostólico!

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Sininho e o pó de pirlimpimpim

Quando meu filho tinha uns 2 anos, o que mais lhe chamava a atenção na Missa era o toque do sininho. Acho que a estridência ou a originalidade do som impunha certo respeito. Ele acabou aprendendo que eram três toques e ficava aguardando. Depois do último, considerava-se liberado para começar a perguntar: "falta muito prá acabar?"

Não tenho ideia se é um fenômeno generalizado, mas cada vez ouço menos tocarem o sininho. Sei que os inúmeros leitores desse blog estão ansiosos por um longo tratado sobre "a função capital do sino na liturgia ocidental" ou "o papel fundamental do toque do sino para o resgate do...", mas vou frustrá-los. Limito-me a uma singela enquete:

Por que não se toca o sininho em algumas Missas?
a) é um instrumento difícil de tocar
b) os inúmeros ministros no altar estão ocupados com outros afazeres e não sobra tempo para detalhes
c) impossibilidade física: não se encontra no mercado, muito caro, está quebrado, etc.
d) puro e simples desmazelo
e) foi desaconselhado por alguma norma eclesiástica e não estou sabendo
f) não é de bom tom no espírito litúrgico contemporâneo
g) a fada Sininho jogou o pó de pirlimpimpim e o sininho fez... puf!

Respostas aos cuidados deste blog. Aceito sugestões de eventuais alternativas omitidas.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

A crise da Igreja atual é acima de tudo, uma crise da liturgia

Permitir a Missa Antiga em latim é apenas "um primeiro passo", segundo o Cardeal Kurt Koch (foto), membro da Cúria Romana. 
A época atual ainda não está madura para os próximos passos, disse Koch. Questões litúrgicas são ofuscadas pela ideologia, especialmente na Alemanha. Roma só será capaz dar novos passos quando os católicos se mostrarem mais dispostos a pensar sobre uma nova reforma litúrgica "para o bem da Igreja." 
O Cardeal falou em uma conferência sobre a teologia de Joseph Ratzinger, que também analisou o pontificado Ratzinger como Papa Bento XVI. Em julho de 2007 o Papa Bento XVI decretou que as Missas do Rito Tridentino segundo o Missal de 1962 podem novamente ser celebradas no mundo inteiro. O Missal de 1970, no entanto, é ainda a "forma normal" da Celebração Eucarística na Igreja Romana. 
Koch é o presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos. Ele procurou refutar a acusação de que o Papa Bento XVI está indo contra o Concílio [Vaticano II] em assuntos litúrgicos: "o Papa sofre com esta acusação". Pelo contrário, a intenção do Santo Padre é implementar os ensinamentos conciliares sobre a liturgia que têm sido ignorados até agora. 
A prática litúrgica dos dias atuais nem sempre tem qualquer fundamento real no Concílio.  Por exemplo, celebrar versus populum [de frente para os fiéis] nunca foi ordenado pelo Conselho, diz o Cardeal. A renovação da forma de adoração divina é necessária para a renovação interior da Igreja: "Como a crise da Igreja atual é acima de tudo, uma crise da Liturgia, é necessário começar a renovação da Igreja de hoje com uma renovação da Liturgia. 
tradução, [comentários] e negrito Missa aos domingos
Essas declarações estão recolhidas na reportagem da Radio Vaticana sobre Congresso teológico realizado no último sábado, 28 de janeiro, na Alemanha (fonte: Rorate Caeli).

Temos que começar a renovação da Igreja de hoje com uma renovação da Liturgia. Alguma ideia sobre o que poderia ser renovado na sua paróquia? Procurei postar várias aqui no blog. Sugestões são bem-vindas!