quinta-feira, 8 de março de 2012

A cultura barulhenta não favorece o recolhimento


Trecho das palavras do Papa na audiência geral de ontem, 7 de março:
... Deus fala através do silêncio. De fato, a dinâmica feita de palavra e silêncio, que caracteriza a oração de Jesus, manifesta-se também na nossa vida de oração em duas direções. Por um lado, nos ensina que a escuta e o acolhimento da Palavra de Deus exige o silêncio interior e exterior, afastando-nos de uma cultura barulhenta que não favorece o recolhimento. Por outro lado, há também o silêncio de Deus na nossa oração, que muitas vezes gera em nós a sensação de abandono. Mas, olhando para o exemplo de Cristo, sabemos que esse silêncio não é ausência: Deus está sempre presente e nos escuta.
A cultura barulhenta que o Papa menciona também pode se manifestar nas Missas: cânticos barulhentos, volume exagerado nos amplificadores, palmas, falas supérfluas.

Íntegra do discurso apenas em italiano.

Um comentário:

  1. O relativismo e o mundanismo atuais se infiltraram na Igreja sob vários disfarces. Aqui está a instrução do S. Padre Bento XVI proveniente do "Domenica Coena", do S Padre e Beato João Paulo II, de 24/02/1980, de como devem ser celebradas e participadas as santas Missas, em ambiente silente e em espírito de recolhimento interior para o devido aproveitamento espiritual. Jamais se transformando em shows emotivos, com palmas, aplausos ou acontecimentos profanos, verdadeiras cópias de "auês" religiosos, próprios de seitas evangélicas, como se aficácia dependesse da comunidade ou de estímulos externos, como pretendem alguns católicos alienados na fé: ir a uma "missa animada",cheia de momentos atraentes... um cantor e orquestra lindos... que "missa boa" do padre fulano, até choro de emoção... a do outro padre, nem me falem...um sepulcro! Vejam:
    “A liturgia não é um show, um espetáculo que necessite de diretores geniais e de atores de talento. A liturgia não vive de surpresas simpáticas, de invenções cativantes, mas de repetições solenes. Não deve exprimir a atualidade e o seu efêmero, mas o mistério do Sagrado. Muitos pensaram e disseram que a liturgia deve ser feita por toda comunidade para ser realmente sua. É um modo de ver que levou a avaliar o seu sucesso em termos de eficácia espetacular, de entretenimento. Desse modo, porém , terminou por dispersar o propium litúrgico que não deriva daquilo que nós fazemos, mas, do fato que acontece. Algo que nós todos juntos não podemos, de modo algum, fazer. Na liturgia age uma força, um poder que nem mesmo a Igreja inteira pode atribuir-se : o que nela se manifesta é o absolutamente Outro que, através da comunidade chega até nós. Isto é, surgiu a impressão de que só haveria uma participação ativa onde houvesse uma atividade externa verificável : discursos, palavras, cantos, homilias, leituras, apertos de mão… Mas ficou no esquecimento que o Concílio inclui na actuosa participatio também o silêncio, que permite uma participação realmente profunda, pessoal, possibilitando a escuta interior da Palavra do Senhor. Ora desse silêncio, em certos ritos, não sobrou nenhum vestígio.

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